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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Atualizações do lendário aniversariante da semana: Mossad

Um dos mais lendários e eficientes serviços secretos do mundo moderno fez uma festa de aniversário no último dia 24 de Setembro, embora oficialmente tenha sido criado em 13 de Dezembro de 1949 por recomendação do então primeiro ministro David Ben-Gurion. É o destaque da matéria jornalística da I24news.tv.


Em um brinde festivo para marcar do 65º aniversário do Mossad estiveram presentes o Primeiro Ministro de Israel Benjamin Netanyahu, o ministro da Inteligência Katz e o chefe do Mossad Tamir Pardo. Bibi Netanyahu destacou em um discurso a tarefa complexa que se deslinda diante da lendária agência israelita:

"The real defense of our country during its years of existence and the 65 years of the existence of the Mossad, which we mark on this day, is this power of the State of Israel. It is this power that we cultivate [...] there is one clear rule: no one makes a pact with the weak. [...] We cannot solve the fundamental problems of the Middle East that are revealed in all their power, and today our enemy is twofold: It is radical Shiite Islam led by Iran and its proxies, and radical Sunni Islam, currently led by the Islamic State..."  

Não costumo traduzir discursos, posto que toda tradução é uma interpretação, mas destaco a lição de Netanyahu sobre o Mossad, extensível a todos os que militam na Atividade de Inteligência: "existe uma regra clara: ninguém faz pactos com os fracos". A história familiar dos Netanyahu se confunde com a história do Mossad. O raid de Entebbe só não foi perfeito em função da morte de seu irmão, Yonatan Netanyahu.

As raízes do serviço secreto de Israel remontam à resistência judia durante a segunda guerra mundial e estão muito bem descritas em recentes livros na língua portuguesa, e em breve pretendo produzir algo para ilustrar um pouco dessa lendária história. Há capítulos no Brasil, e especialmente na Argentina... será que a casa da Rua Garibaldi ainda está de pé? De eficiência notória, houveram poucas falhas que se tornaram públicas e constrangedoras. 

Na semana do aniversário se faz público algo que não pode ser considerado uma falha: a agência iraniana Tasnim citando um jornal suíço e o superpolitizado Sputnik russo imputam ao Mossad e a NSA vários ataques cibernéticos e a vigilância das conversas sustentadas entres as nações para o controle do programa nuclear do governo de Terã, à semelhança do que acontecera em 2007 nas vésperas da Assembleia Geral da ONU e foi matéria de um post recente. 

"...The Swiss security services suspected the Israelis were behind the cyber attack before the raid on the President Wilson hotel – they still do today – nothing has changed,” [...] It claimed the security services were first alerted to the possibility of Israeli involvement in cyber-spying last spring after the computer anti-virus program software manufacturers, Kaspersky Lab detected a hack on several of its computers which had been installed in luxury hotels across Europe.

The investigators quickly established that Iran had used the hotels to conduct negotiations with France, Germany, Britain, the US, Russia and China over its nuclear program. On the basis of the evidence, Switzerland’s chief federal prosecutor opened an official investigation into the cyber attacks on 6 May. Der Tagesanzeiger said that a week later police cyber crime experts raided President Wilson hotel. The paper said that preparing the raid had been a difficult operation because several of the hotel’s own security staff had previously worked for the Israeli secret services..."

O ataque teria se baseado em interceptação de dados utilizando-se um software conhecido como Duqu 2, de tecnologia imputada ao Mossad: 

"...Material confiscated from the hotel included software which showed that its computer system had been infiltrated by a sophisticated surveillance program known as Duqu 2, similar to the Duqu Trojan once known to have been used by Israeli intelligence. A spokesman for Kaspersky Lab described Duqu 2 as “extremely expensive”. He added that the software demanded the kind of computer know-how that was “beyond the resources of a common criminal..."

Especificações relativas a técnica utilizada do ataque cibernético são de uma fonte razoavelmente idônea: o moscovita Kaspersky Lab. Embora detenha conhecimento sobre ameaças virtuais, tem origem e sede na Rússia, onde o que não é profícuo para o governo (Putin) e seus aliados (Irã, no caso) não costuma subsistir por muito tempo.

Supostamente a matéria destaca que a contrainteligência iraniana evoluiu, posto que teria preparado os diplomatas sobre o assunto com a experiência angariada anteriormente. Não se sabe qual o montante de informações foi coletado e o quão decisivo foi para um desfecho que os americanos consideraram positivo - decerto a opinião otimista ianque alardeada por Obama não é compartilhada por Israel.

Israel não pretende admitir que os iranianos ganhem acesso a tecnologia nuclear ofensiva, o que historicamente é um objetivo muito claro para o Mossad. E até onde se sabe (stuxnet que o diga), tal objetivo tem sido efetivamente executado pelos carrascos do Kidon e seus lendários Katsa à margem da perfeição.

Ora, não há como condená-los em minha opinião. Se eu tivesse um vizinho instável, tendente ao fundamentalismo islâmico e que não gostasse de mim eu também não gostaria que ele se armasse. 

Fontes:

http://www.i24news.tv/en/news/israel/diplomacy-defense/86764-150924-israel-s-mossad-celebrates-65th-anniversary

http://sputniknews.com/politics/20150924/1027485981/iran-nsa-mossad-spying-un-general-assembly.html

http://www.tasnimnews.com/english/Home/Single/868821

http://soldadodosilencio.blogspot.com/2015/09/2007-assembleia-geral-da-onu-como-nsa.html

sábado, 26 de setembro de 2015

2007, Assembléia Geral da ONU - Como a NSA monitorou a delegação inteira do Irã de Ahmadinejad

Em tempos de Assembléia Geral da ONU, a NBC apresentou uma interessante produção jornalística sobre como a NSA teria obtido inteligência de toda a delegação do Irã comandada por Mahmoud Ahmadinejad em 2007.


Conforme o relato das fontes da matéria, toda a delegação de 143 membros do Irã que se hospedou em hotéis de New York foi monitorada de formas bastante específicas:

"...Although the NSA document makes no specific reference to bugging the rooms of the delegation, which stayed at the Intercontinental Hotel and other hotels in midtown Manhattan, a former senior U.S. government official confirmed to NBC News that the bugging took place..."

Uma verdadeira operação de vigilância foi então montada. Afinal, de que adianta ter todas as conversas em Farsi se não fossem adequadamente traduzidas, contextualizadas e interpretadas a contento em atenção ao princípio da oportunidade que rege todo o ciclo de produção da Atividade de Inteligência?

Várias tecnologias de suporte são citadas: 

"...In addition to monitoring phone calls and in-person conversations, a secret technology called "Blarney" allowed them to intercept Skype conversations and video teleconferencing [...] "Speech Activity Detection," meanwhile, "was run on all incoming traffic to help identify [recordings] with little-to-no speech to prevent our having to listen to dead air." The analysts also used "VoiceRt" to set up phonetic keyword searches in Farsi to find email addresses and "discussion of prominent individuals..."

Saber quem se relacionava com quem e de que forma, sobre quais temas cada um se especializa e quais as correntes de pensamento. Tudo em tempo real, a ponto de utilizar o conhecimento em eventuais tentativas de HUMINT por parte de operativos americanos, interagindo sutilmente com membros da equipe iraniana, durante um lapso temporal específico. Afinal, a eventual contramedida deveria tomar lugar em uma reação adequada durante a Assembléia Geral se desvelava.

"... The "Social Network Analysis office" of the NSA also used the surveillance to reconstruct the social networks of the top Iranian delegates, and better understand their relationships with each other. According to a former analyst, that would help the U.S. understand things such as which aides Ahmadinejad relied on most, and which held the real power..."

Não se constrói e tampouco se mantém uma nação sem a Atividade de Inteligência.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Breves atualizações do lendário serviço secreto da Rainha

The name's Bond... James Bond. Ao contrário do que fazem crer o cinema e o rancor egoísta e reacionário de alguns que não se conformam com a própria realidade, o 007 é uma distante lenda da imaginação fértil de um ex-agente que virou escritor/roteirista. 


Não que inexistam ações secretas, especiais e até as ousadas... Mas esses filmes exageram e muito. Palavra de Andrew Parker, o diretor geral do MI5, em matéria da BBC Brasil replicada pelo website Terra. Eu particularmente sempre conto os disparos das pistolas utilizadas e presto atenção nas eventuais técnicas de troca de carregador. Já obtive números absurdos sem qualquer troca... enfim, entretenimento tem sua função lúdica.

Mas vamos aos fatos e atualizações recentes dos serviços secretos da Rainha. E vamos por partes, como preconizava Jack The Ripper... esse sim uma infeliz realidade da Bretanha Vitoriana.

Andrew Parker alertou em recente entrevista que as tecnologias avançadas tem propiciado ganhos reais a comunicação de terroristas à revelia das autoridades, conclamando em seguida a responsabilidade ética das companhias da internet em reportar potenciais ameaças. Em tempos de coleta indiscriminada de metadados, é uma declaração corajosa, e em minha modesta opinião acertada. O terrorismo não será mitigado senão com um esforço incomum. Situações especiais demandam medidas especiais. E não vale chamar o 007...

E seguindo no tema contraterrorismo, o MI5 estaria pagando a muçulmanos para coletar inteligência entre seus pares em curto prazo. As informações são do The Guardian em notícia replicada pelo Times of India. As supostas fontes do jornal londrino que relataram os fatos seriam da comunidade muçulmana local.

Obviamente obter inteligência de fontes humanas através de informantes e repassar eventuais contrapartidas é uma conduta comum na Atividade de Inteligência. O risco? Varia em função da natureza da contrapartida, além da motivação específica do informante. Deve-se evitar que o negócio se torne suficientemente rentável e regular para que informações sejam fabricadas. O cuidado ao verificar em outras fontes a fidedignidade dos conhecimentos é essencial.

Fato é que a realidade do MI5 é mais parecida com softwares especiais rodando em supercomputadores e o tráfico de influência do que as mirabolantes e inconseqüentes missões do ficcional Bond.

Fontes:

http://noticias.terra.com.br/mundo/james-bond-esta-muito-longe-da-realidade-diz-chefe-de-servico-secreto-britanico,246b64ac7ff497e672a108d3049bffdeejaj5o4w.html

http://timesofindia.indiatimes.com/world/uk/UKs-MI5-pays-Muslims-to-spy-on-extremists/articleshow/49039273.cms

https://hereandnow.wbur.org/2015/09/22/british-intelligence-internet

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

"Exercício militar" em Essequibo - Venezuela demonstra força para a Guiana.

E a Venezuela continua jogando petróleo no incêndio com a Guiana e assombrando a "segurança" deste barril de pólvora denominado América Latina. Matérias jornalísticas da Folha, Sputnik e Guyana Chronicle destacam o tema nas últimas horas.

Forças militares venezuelanas realizaram exercício militar na região de Essequibo - foi relatada pela mídia internacional a presença de navios armados e tropas venezuelanas no local. A denúncia é do ministro para relações exteriores da Guiana, Carl Greenidge, veiculada em várias mídias internacionais:

"Estão enviando (da Venezuela) navios armados ao rio Coeroeni, que, como sabem, pertence às águas da Guiana. Além da mobilização de tropas e equipamentos, incluindo um lança-míssil do outro lado da fronteira, o que tenho entendido até agora é que foram ilegalmente posicionadas embarcações em águas da Guiana".


Há fortes indícios e declarações claras do governo de Maduro no sentido de reanexar o território de Essequibo à Venezuela, em contrariedade as fronteiras estabelecidas em tratados internacionais seculares. O pano de fundo são jazidas substanciais de petróleo na região, descobertas pela Exxon Mobil.


O assunto será pautado na Assembléia Geral da ONU. Será que antes ou depois de uma reanexação militar? Nas fronteiras leste e oeste da Venezuela se observa cada vez mais atividade militar, demonstrações de força e dissuasão. Mais uma vez, até onde vai a Venezuela? 

A evolução das ações de IMINT: Charlie Allen prevê o fim do reconhecimento tripulado

Excelente matéria do breakingdefense.com aponta a visão de um expoente história da CIA sobre a evolução das missões aeronáuticas tripuladas de reconhecimento e IMINT. Charlie Allen entrou na agência central norte americana em 1958 e lá trabalhou por 40 anos. Em resumo de quem viveu os áureos anos do apogeu do U2 e do Blackbird, ele declara em síntese:

"...The world of manned reconnaissance is gone, and soon manned reconnaissance itself will be gone... [...] We all dream of the days of the SR-71, [...] Fastest aircraft that ever flew. Highest aircraft that ever flew. [...] fired something like 800 SAMs at it and never once touched it. [...] a tremendous history and rich history, but those are the historic days of manned aircraft [...] In the future, the history will be made by unmanned. [...] “Losing a pilot or having a pilot taken hostage can be very devastating, we found that out when Francis Gary Powers was captured on 1 May 1960.” [...] “I think we’ll move almost solely to unmanned reconnaissance, whether it’s long range in the class of Global Hawk or whether it deals with Predator A’s (or) Predator B’s”.


Sobre o histórico fantástico do Blackbird e sua concepção, extremamente recomendável a série de postagens do blog CAVOK, da qual deixou o primeiro link abaixo. 

Aos versados em inglês, fica a dica de uma parte do website da CIA que trata de estudos de inteligência e dedica um documento exclusivamente do tema: Archangel: CIA's Supersonic A-12 Reconnaissance Aircraft.

Fontes:

http://breakingdefense.com/2015/09/bye-bye-u-2-cia-legend-allen-predicts-end-of-manned-reconnaissance/

http://www.cavok.com.br/blog/a-de-ataque-lockheed-a-12-oxcart-o-pai-do-sr-71-blackbird-parte-1/

https://www.cia.gov/library/center-for-the-study-of-intelligence/csi-publications/books-and-monographs/a-12/index.html

http://www.globalsecurity.org/intell/systems/sr-71.htm