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quinta-feira, 10 de março de 2016

Desertor do ISIS vaza lista com 22.000 nomes/contatos de terroristas

Como podemos chamar isso? ISIS Leak!

Matéria do Pravda.ru e do portal Terra, replicando a mídia internacional indicam que o vazamento de uma lista com 22.000 nomes e contatos de terroristas do ISIS, entregue por um desiludido desertor que se tornou descrente na causa do fatídico califado. Seria um "sonho de consumo" dos serviços secretos envolvidos na luta contraterrorista, que potencialmente verificam nesse instante a veracidade dos dados. 

Imagem da suposta lista apresentada pelo desertor do Daesh

Obviamente, existe a possibilidade de ser mais um subterfúgio de contrainteligência, uma aplicação prática de técnicas de desinformação, uma cortina de fumaça do Daesh, com o objetivo de ganhar tempo, confundir e desviar esforços das Agências de Inteligência.

Se a suposta lista for real, há muito trabalho a ser feito, e deve ser feito rapidamente. 

De outra forma, se me permitirem uma brevíssima análise preliminar de tendências, vislumbrando a impossibilidade de proteger seus ativos suicidas, é presumível que um elevado número de ativações precoces de ataques do Daesh ocorra em curto prazo. Eis um risco que país algum pode se admitir.

Aparentemente, houve uma acentuada queda no poderio e na influência territorial do Daesh. Tomara Deus (e porquê não Allah?) que tal fato seja real e constitua um duro revés as frequentes barbáries do terrorismo internacional fundamentalista. 

Fontes:

http://www.pravdareport.com/news/world/asia/syria/10-03-2016/133767-intelligence-0/

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/03/jihadista-decepcionado-entrega-lista-com-nomes-de-22000-membros-do-ei.html

domingo, 29 de novembro de 2015

Reações russas após bombardeiro SU-24M da VKS ser abatido pela Turquia

Há uma frase clássica que costuma vez ou outra se repetir para quem se dedica intelectualmente a polemologia e as relações internacionais em geral: "faltou combinar com os russos".

Potencialmente, a Turquia há de se arrepender de não ter alcançado um panorama exequível de tolerância as operações aéreas russas na Síria - o dia 24/11/2015 não será comemorado no futuro da Turquia.

SU-24M -  Oleg Peshkov (morto em ação) e Konstantin Murahtin (resgatado) integravam a tripulação abatida.

Abater uma aeronave de guerra de uma superpotência em ordem de batalha não é, definitivamente, uma conduta razoável, ainda mais se há dúvida se houve ou não violação do espaço aéreo turco. Pelo que se pode saber, a operação russa em questão evidentemente não iluminava nenhum alvo turco, e considerando a hipótese de ter eventualmente invadido o espaço aéreo de soberania turca, não se destinava propositalmente a tal finalidade.

É fato incontroverso, entretanto, que já houveram incursões aéreas da VKS no espaço aéreo turco, que foram admoestadas publicamente por Erdogan e seus pares. Em tais eventos, após demonstrar certa contrariedade/resistência, a Rússia apresentou desculpas públicas, justificando-os por questões climáticas na região da base de Latakia, que fica a aproximadamente a 30km da fronteira sírio-turca. A Turquia é estado membro da OTAN e se opôs a presença russa na Síria.

Ainda mais incontroversa é a premente necessidade internacional de não escalar tensões no multipolarizado e fragmentário cenário de guerra na Síria. Após os últimos eventos de terrorismo sob o patrocínio do Daesh, a crise entre a Rússia e a Turquia não poderia ocorrer em pior momento.

O presidente russo Vladimir Putin promoveu um duro discurso contra a ação turca:

"...Turkey backstabbed Russia by downing the Russian warplane and acted as accomplices of the terrorists [...] The plane was hit by a Turkish warplane as it was travelling 1 km away from the Turkish border [...] The plane posed no threat to Turkish national security, he stressed.

Putin said the plane was targeting terrorist targets in the Latakia province of Syria, many of whom came from Russia. Russia noticed of the flow of oil from Syrian territory under the control of terrorists to Turkey [...] Apparently, IS now not only receives revenue from the smuggling of oil, but also has the protection of a nation’s military, Putin said. This may explain why the terrorist group is so bold in taking acts of terrorism across the world..."


A OTAN demonstrou apoio formal a integridade do território turco - e embora não condene publicamente demonstra preocupações quanto a ação orquestrada pela Força Aérea Turca. O porta-voz da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos da América no cenário de batalha sírio, Steve Warren, declarou a Reuters:

"...Despite Turkey being a NATO member, the US military spokesman said the downing of the Russian warplane is an issue to be settled between Ankara and Moscow. "This is an incident between the Russian and the Turkish governments. It is not an issue that involves the [US-led coalition operations]. Our combat operations against ISIL (IS, ISIS) continue as planned and we are striking in both Iraq and Syria..."


A resposta militar russa não tardou. Foi anunciado que todos os bombardeios da VKS contaram com escolta de caças, o que não ocorreu na missão do SU-24M particularmente atingida. Segundo matéria do portal Janes.com, a Rússia despachou para apoiar as operações aéreas na Síria baterias do avançado sistema antíaéreo S-400, além do cruzador Movska, que navegará na costa síria próximo a base aérea de Latakia:

"...The S-400 is Russia's most modern long-range SAM system, capable of destroying air-breathing threats at ranges of up to 400 km and ballistic missile targets at shorter ranges. Meanwhile Moskva is armed with a navalised version of the S-300 SAM - the S-300F Fort (SA-N-6 'Grumble') - which has a range of 150 km. Shoigu said the SAM system and the Moskva would be "ready to destroy any air target posing a potential threat to our aircraft..."

S-400 surface-to-air missile - SAM

Muito além das duras palavras e do consistente reforço militar, Putin também impôs medidas econômicas contra a Turquia, além de recrudescer questões diplomáticas relativas a concessão de vistos e alertas genéricos ao turismo.

Conforme o politizado portal russo Sputnik, em discurso no sábado, Recep Tayyip Erdogan teria se desculpado pela ação que culminou no abate da aeronave russa:

"...Este incidente nos incomoda muito. Eu realmente espero que isso não aconteça de novo. Vamos discutir esta questão e encontrar uma solução. Na segunda-feira, Paris será o anfitrião da cimeira do clima internacional, isso poderia ser uma oportunidade para restaurar as nossas relações com a Rússia..."


Matéria replicada pelo Jornal do Brasil retrata as reações de autoridades do Kremlin, dentre as quais as palavras do chanceler russo Serguei Lavrov, de que a Rússia não pretende retaliar militarmente a Turquia, mas realizar a reavaliação de todas as iniciativas bilaterais entre os países.

A crise protagonizada pela Turquia contrasta com a postura de Israel sobre a missão militar russa na Síria. Logo no início das operações militares, houve um protocolo militar conjunto de mais alto nível entre a Rússia e Israel, quando em 22/09/2015 destacamos na postagem então realizada:  

"...na esteira dos fatos, exsurge nas últimas horas a notícia de que Israel e Rússia coordenarão esforços para militares na Síria, com o intuito de evitar confrontos desnecessários..."

Desde então, conforme muito bem ilustra o excelente blog Cavok, houve incursões aéreas da VKS no espaço aéreo de Israel. Dentro de um determinado protocolo conjunto, não houveram incidentes graves.

Cada vez mais o teatro de operações na Síria se assemelha aos paradoxos dos conflitos secundários da Guerra Fria, em sua nova e soturna versão, fermentada pelos bárbaros fatores de desequilíbrio que se impõe com a existência do Daesh.

Fontes:

http://soldadodosilencio.blogspot.com.br/2015/09/dos-movimentos-russos-no-oriente-medio.html

http://www.janes.com/article/56252/russia-responds-to-turkish-su-24-shootdown

http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2015/11/25/chanceler-russo-descarta-guerra-com-turquia/

http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2015/11/25/nyt-putin-considera-se-apunhalado-pelas-costas-apos-queda-do-aviao-pela-turquia/

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/24/internacional/1448377206_491380.html

https://www.rt.com/news/323240-russia-turkey-warplane-downed/

http://br.sputniknews.com/mundo/20151128/2909602/presidente-turco-pede-desculpa-a-russia.html

http://www.cavok.com.br/blog/russos-invadiram-o-espaco-aereo-de-israel/

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Os atribulados mares orientais: ilhas artificiais, rusgas históricas e exercícios temerários

Uma das principais características de um Estado que pleiteia ser uma potência mundial é a projeção de sua força militar, em todas as suas potenciais dimensões de combate, em todos os possíveis cenários de embate. Há um constante exercício de demonstração de capacidades militares, por vezes correlacionado a posteriores esforços diplomáticos para acalmar a erupção das tensões acumuladas. 

Para fazer uma longa história resumida: há crescente tensão entre os Estados Unidos da América e China, pela hegemonia militar daquela que pode ser a rota comercial mais rentável da história da humanidade: os mares orientais do sul da China. 

O portal Janes, consagrado por excelentes análises, destaca há tempos os avanços chineses na construção de infraestruturas artificiais em arquipélagos nos mares do sul da China que estão sob litígio internacional.




Na última semana a incursão do destroyer americano USS Lassen nas proximidades de uma das ilhas artificiais despertou a ira dos chineses, expressa nas palavras do embaixador chinês junto aos Estados Unidos da América, Cui Tiankai, conforme matéria da CNN:

"...It is a very absurd and even hypocritical position to ask others not to militarize the region while one's self is sending military vessels there so frequently..."

A resposta não tardou. O secretário de defesa norte americano Ash Carter declarou sobre o tema em um painel do Senado Americano:

"...We will fly, sail and operate wherever international law permits and whenever our operational needs require..."

O portal Janes ainda indicou um fato novo na cadeia de eventos que elevam a tensão militar no local - o envio de uma força anfíbia especializada da marinha americana:

"...The US Navy's (USN's) Essex Amphibious Ready Group (ARG) has arrived in the service's 7th Fleet area of responsibility, the service confirmed to IHS Jane's on 3 November.

The group, which includes the Wasp-class amphibious assault ship USS Essex (LHD 2), the San Antonio-class amphibious transport dock USS Anchorage (LPD 23) and the Whidbey Island-class amphibious dock landing ship USS Rushmore (LSD 47), crossed the international dateline on 1 November, said Lieutenant Dave Levy, a public affairs officer with the USN's Expeditionary Strike Group Seven (ESG 7).

Embarked with the ARG is the 15th Marine Expeditionary Unit (MEU), which includes the Marine Medium Tiltrotor Squadron (VMM) 161 (Reinforced).

The arrival of Essex ARG in the 7th Fleet AOR follows a 27 October freedom of navigation (FON) operation by USN destroyer USS Lassen (DDG 82), which sailed within 12 n miles of what China views to be its territorial waters in the Spratly Islands. Beijing responded by saying that the US operation "threatens China's sovereignty and security interests, jeopardises the safety of personnel and facilities [on the] reefs, and damages regional peace and stability"..."

A Reuters afirmou que no episódio da incursão do USS Lassen as forças americanas foram espelhadas por navios e aeronaves militares chinesas, sendo inclusive alertadas em conformidade com as leis internacionais. A marinha americana afirma por sua vez ter respeitado as leis internacionais na incursão. 

A projeção das forças militares americanas no oriente é comumente relacionada ao apoio americano a Coréia do Sul e ao Japão, onde são constantes os exercícios militares conjuntos que simulam eventuais conflitos com a Coréia do Norte, que por sua vez goza do apoio do regime comunista chinês. Barack Obama deverá visitar a Ásia em breve.

Várias nações clamam os territórios de ilhas que se espalham pelo mar do sul da China, por sua importância estratégica, em especial como entrepostos militares. Dentre tais nações destacam-se o Vietnam e as Filipinas. A histórica controvérsia relativa a Taiwan também emerge quando se trata da soberania chinesa ultramarina.

Decerto trata-se de um dos cenários que merecem atenção internacional, pela possibilidade de escalonamento de uma crise entre duas superpotências, embora seja improvável que o evento cause um conflito armado.

Fontes:

http://edition.cnn.com/2015/10/27/asia/us-china-south-china-sea/

http://www.reuters.com/article/2015/10/28/us-southchinasea-usa-idUSKCN0SK2AC20151028#avixrq1ystGbyqt4.97

http://www.nytimes.com/interactive/2015/07/30/world/asia/what-china-has-been-building-in-the-south-china-sea.html?_r=0

http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2015/11/04/presidentes-de-taiwan-e-china-se-reunirao-pela-primeira-vez-desde-1949/

http://www.janes.com/article/55709/essex-amphibious-group-arrives-in-pacific-as-usn-reiterates-rights-to-south-china-sea-access?utm_campaign=%5bPMP%5d_PC5308_J360%204.11.15_KV_Deployment&utm_medium=email&utm_source=Eloqua

domingo, 1 de novembro de 2015

Atualizações da "Nova Guerra Fria": propaganda enganosa, receios submarinos e a Síria pelos infantes

É notório que as tensões entre Estados Unidos da América e Rússia continuam a se intensificar na medida que o conflito na Síria e os jogos de guerra centrados no leste europeu baseados na guerra civil Ucraniana evoluem.


Uma "Nova Guerra Fria"? 

Particularmente, sou partidário da corrente de pensamento que considera que a Guerra Fria nunca tenha efetivamente arrefecido ao ponto dos focos de calor terem se extinto. Mas a taxonomia da história se reflete na polemologia e costuma fragmentar a cadeia de eventos em marcos, e decerto o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas é um ponto de curva considerável no diagrama histórico.

A politizada agência Sputnik alardeou as palavras do porta voz da Casa Branca Josh Earnest, que teria declarado que não há uma "Nova Guerra Fria" utilizando um argumento no mínimo tosco:

"...O porta-voz oficial da Casa Branca, Josh Earnest, declarou que o assunto de uma suposta Guerra Fria entre Rússia e EUA não está em pauta no momento porque a Rússia não representa mais uma superpotência, como o era na época da União Soviética.

"Não há dúvidas de que nós temos sérias divergências, principalmente sobre Ucrânia e Síria. Mas a Guerra Fria foi caracterizada pela confrontação entre duas superpotências. Agora, a situação é outra. A Rússia não é mais uma superpotência" – disse Earnest..."

Eu entendo que o papel do porta voz não costuma habilitá-lo ao livre exercício de um raciocínio histórico - mas enveredar para a propaganda enganosa não será producente. É inegável que a Rússia constitui uma superpotência mundial.

Os crescentes sinais de dissonância não se limitam a expansão das esferas de influência ou a discursos tendenciosos. Recente matéria do The New York Times revela um dos temores da inteligência americana: a possibilidade de um ataque submarino russo aos sistemas de cabos de comunicação que atravessam os oceanos.

Supostamente tais receios submarinos são fruto de operações de reconhecimento de belonaves nucleares da Rússia nas proximidades de sistemas críticos dos cabos de comunicação oceânicos. O potencial de um ataque que segmentasse os cabos é extremamente relevante, e decerto figuram em rol de alvos de alto valor a comunicação internacional no ocidente. 

Adquirir alvos que constituem infraestruturas críticas em eventual conflito é papel da inteligência militar de uma superpotência. Josh Earnest potencialmente dispõe de meios para alcançar esse entendimento - mas como asseveramos, não é pago para falar o que pensa. 

No teatro sírio, a recente implementação de forças especiais norte americanas em terra para combater o ISIS não é meramente protocolar, e também merece entrar no rol dos sintomas estudados. E mais uma vez, não é mera propaganda. Conhecer as atitudes de um potencial inimigo, "espelhando" suas operações em um cenário comum é uma relevante estratégia para evoluir doutrinas de combate no intuito de gerar o diferencial que possa alavancar vitórias.

Os argumentos ingênuos só servem as propagandas de ambos os lados do conflito. Quando se trata de estratégia militar que fundamenta a defesa nacional contra todos os potenciais cenários ameaçadores, nenhuma superpotência mundial fingirá boiar na superfície ignorando a abissal profundidade do mar belicista.

Fontes:

http://br.sputniknews.com/mundo/20151030/2605389/washington-nega-volta-guerra-fria-explica-porque.html

http://www.nytimes.com/2015/10/26/world/europe/russian-presence-near-undersea-cables-concerns-us.html?mwrsm=Email&_r=4

http://www.independent.co.uk/life-style/gadgets-and-tech/news/us-intelligence-fears-russia-could-crash-internet-by-cutting-subsea-cables-a6708651.html

http://noticias.r7.com/brasil/forcas-especiais-na-siria-nao-implicam-entrada-dos-eua-na-guerra-civil-diz-kerry-31102015


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

John Brennan revoltado, CIA ridicularizada: graves repercussões de uma falha pessoal.

Ser diretor de uma grande Agência de Inteligência não é tarefa fácil. Se é verdade que barco singra o mar à imagem do exemplo de trabalho de seu capitão, a CIA deverá rever muitos aspectos de sua atividade em função do escândalo que envolve a falha pessoal de John Brennan.


Desde o dia 21/10/2015 quando tratamos em postagem a brecha que vitimou o diretor da CIA, muitas repercussões ganharam corpo em coleta OSINT. A CNN apresenta a revolta de John Brennan, em recentes declarações perante conferência na George Washington University:

"...I was certainly outraged by it [...] I certainly was concerned about what people might try to do with that information, [...] I was also dismayed at how some of the media handled it, and the inferences that were in there. [...] Although we are government officials, we also have family and friends, bills to pay, things to do in our daily lives, and the way you communicate these days is through the Internet, [...] The implication of some of the reporting was that I was doing something inappropriate or wrong or a violation of my security responsibilities - which was certainly not the case. [...] What it does is to underscore just how vulnerable people are to those who want to cause harm, [...] We really have to evolve to deal with these new threats and challenges..."

Resta claro o esforço de Brennan em desvincular sua gestão de uma atitude negligente na mentalidade de contrainteligência ou incapacidade pessoal, vinculando o caso a uma oportunidade de estudo das atuais ameaças cibernéticas.

Quanto a primeira parte do argumento, duvido que seus pares desvinculem o escândalo pessoal de sua gestão profissional, embora por mera aparência possivelmente o façam. Pela segunda parte, concordo: é um caso a se estudar quando um suposto adolescente em manobra de engenharia social ganha acesso a uma "esquecida" conta de e-mail pessoal de um diretor da CIA, com informações sensíveis as suas atividades profissionais. 

Matéria da Associated Press destaca a relativa sensibilidade dos conteúdos acessados pelo hacker, conforme expresso no vazamento de documentos propalado pelo WikiLeaks, que incluem temas relativos ao Irã e aos métodos de tortura aplicados pela CIA: 

"...The WikiLeaks organization posted material Wednesday from what appears to be CIA Director John Brennan’s personal email account, including a draft security clearance application containing personal information. [...] The documents all date from before 2009, when Brennan joined the White House staff; before that, he was working in the private sector. Aside from the partially completed clearance application, none of the documents appears to be sensitive.

The documents include a partially written position paper on the future of intelligence, a memo on Iran, a paper from a Republican lawmaker on CIA interrogations and a summary of a contract dispute between the CIA and Brennan’s private company, the Analysis Corporation, which had filed a formal protest after losing a contract dealing with terrorist watch lists..."

A matéria da AP também relata a postura oficial da CIA - condenação a conduta do hacker e apoio incondicional a vítima:

"...A CIA statement called the postings a “crime.” [...] "The Brennan family is the victim,” the agency said in an unattributed statement, in keeping with agency policy. “This attack is something that could happen to anyone and should be condemned, not promoted. There is no indication that any the documents released thus far are classified. In fact, they appear to be documents that a private citizen with national security interests and expertise would be expected to possess..."

Aparentemente o suposto hacker autointitulado "Cracka" não tem expectativas de permanecer anônimo, teme por sua vida. É o tema de nota do Daily Mail. Se eventualmente for mesmo um adolescente, deve estar no porão de pais que sequer conhecem dos fatos. Sinceramente, é difícil acreditar que seja um garoto de 13 anos o autor da façanha. Na guerra cibernética a verdade também é a primeira vítima.

Embora os esforços para diminuir a dimensão do escândalo sejam louváveis, é patente que há vários assuntos sensíveis que foram desvelados. A NDTV da Índia destaca a visão de Brennan em documento destinado a Obama sobre a interação entre terroristas afegãos, o governo Paquistanês e seu conflito com a Índia:

"...Pakistan uses terrorists as proxies to counter India's growing influence in Afghanistan, according to a set of documents released by WikiLeaks from the hacked personal email account of Central Intelligence Agency (CIA) director, John Brennan. The documents, released by the whistle-blower website and deemed classified by the CIA, contained reports on Afghanistan and Pakistan, and also ideas for US policy towards Iran.

Three days after Barack Obama was elected US President in November 2008, Mr Brennan wrote to him in a position-cum- strategy paper that Pakistan uses the Taliban to counter India in Afghanistan. "Pakistan's desire to counter India's growing influence in Afghanistan and concerns about US long-term commitments to Afghanistan increase Pakistan's interest in hedging its bets by ensuring that it will be able to have a working relationship with the Taliban to balance Indian and Iranian interests if the US withdraws," Mr Brennan wrote on November 7 in 2008.

At that time, Mr Brennan was a top foreign policy and counter-terrorism adviser to Mr Obama, then a president-elect. Mr Brennan was in the running to be CIA Director, but the post, however, went to Leon Panetta. In January 2013, President Obama nominated Mr Brennan as CIA Director. His views on Pakistan were disclosed in a 13-page executive summary of key findings and recommendations on Afghanistan and Pakistan.

Mr Brennan, in the summary, said efforts in the Federally Administered Tribal Areas (FATA) have been challenged by Pakistan's ambivalence and perhaps outright support for, the Taliban. "While the US Intelligence Community differs on the extent of the relationships, at least some elements of Pakistan's military and intelligence services appear to be ambivalent about the anti-Taliban and anti-militant mission in the FATA, in part due to their history of close ties to the Taliban in Afghanistan's conflict with the Soviet Union and Pakistan's use of militant proxies in its conflict with India," he wrote.

Coalition forces have won every major battle with Afghan insurgents, but these tactical successes have not resulted in a strategic victory, largely because insurgents are free to regroup in sanctuaries across the Afghanistan-Pakistan border, he wrote. On Wednesday, WikiLeaks began publishing documents from "Brennan's non-government email accounts". They appear to date back to 2007-09, when Mr Brennan worked in the private sector..."

Aposto que Putin deve ter rolado no chão de tanto rir. A agência Sputnik apresenta uma série de matérias explorando os documentos vazados do e-mail de Brennan. Fato é que a imagem da CIA restará mais uma vez ridicularizada em função da falha pessoal de um de seus principais atores.

A lição do crescente escândalo envolvendo Brennan e o "Cracka" é simples e fatal: ninguém jamais estará imune as preparações básicas de contrainteligência. Estivessem tais documentos criptografados adequadamente em um canal seguro para sua difusão, o eventual acesso não autorizado ao e-mail pessoal por um golpe de engenharia social seria potencialmente irrelevante.

Fontes:

http://soldadodosilencio.blogspot.com/2015/10/hacker-adolescente-teria-invadido-email.html

http://edition.cnn.com/2015/10/27/politics/john-brennan-email-hack-outrage/

https://www.washingtonpost.com/politics/wikileaks-publishes-cia-director-john-brennan-emails/2015/10/21/5e37c758-782c-11e5-a5e2-40d6b2ad18dd_story.html

http://www.ndtv.com/india-news/pak-used-taliban-to-counter-india-in-afghanistan-cia-chiefs-hacked-emails-1236355

http://sputniknews.com/us/20151022/1028905336/CIA-Operated-Within-US.html

http://www.dailymail.co.uk/news/article-3286700/Hacker-Cracka-got-CIA-Director-John-Brennan-s-AOL-account-believes-caught.html

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Dos movimentos russos no Oriente Médio II: Nuances da "Nova Guerra Fria"

A cadeia de eventos do multifacetado conflito que assola a Síria tomou novas proporções com a intervenção direta da Rússia no teatro de operações: é tempo de rever os últimos movimentos russos no Oriente Médio, assunto de uma postagem há duas semanas neste blog.


Propositalmente abusarei do superpolitizado portal Sputnik, embora contextualizando-o com outras fontes. A razão é clara: abordar a política externa russa, a visão oficialmente difundida ao público na superpotência, vislumbrando sempre as ações nos teatros secundários do Leste Europeu e da Síria, no que creio que já podemos chamar de "Nova Guerra Fria".

Preclaro que a Rússia pretende fazer do suporte ao regime de Assad no teatro secundário da Síria contra o ISIS a maior demonstração de poder militar nas últimas décadas, adicionando a boa propaganda de combate ao fundamentalismo islâmico, de apelo mundial. Em contrapartida, acirrará o fundamentalismo islâmico em seus próprios territórios, aumentando o risco de tornar-se alvo primário de ataques jihadistas. Fiz uma postagem em 26/08/2015 sobre a exportação de fundamentalistas islâmicos pelo FSB, antes da intervenção direta da Rússia no conflito. Caramba, os amantes da vodka pensam mesmo em tudo!

Várias são as provas da estratégia de demonstração de poder na intervenção russa na Síria. Em 27/09/2015, a AFP noticiava a contínua expansão dos equipamentos militares russos remetidos diariamente por uma série de sortidas de seus impressionantes aviões cargueiros. A VKS tem implementado aeronaves e drones em suas suítes mais modernas nos bombardeios, além de clássicos anteriormente batizados em fogo que costuma exportar aos regimes de sua influência.

A Reuters noticiou em 28/09, durante a Assembléia Geral da ONU, a polêmica que se instaurou nas chefias executivas e altos ciclos estratégicos que norteiam o combate ao ISIS. A Rússia, o Irã e a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos concordam absolutamente em derrotar o ISIS, e discordam parcialmente sobre o futuro do regime de Assad. 

A separação do pão sírio do pós-guerra é a celeuma que remonta a excelente matéria da BBC em 02/10/2015, da qual faço coro com ligeiras adaptações: 

1) aos Russos e Iranianos convém apoiar a continuidade do regime de Assad, o que decerto lhes garantiria influência geopolítica e belos contratos de reconstrução; 
2) aos Americanos Assad não merece prosperar, tampouco a frente Al-Nusra, intimamente ligada a Al Qaeda e que já impôs severas derrotas ao esforço (mínimo) de armar e treinar rebeldes sírios - permanecem ainda as questões que envolvem o Iraque recém desmobilizado;
3) na estratégica turca, Erdogan não tolera o ISIS, Assad e muito menos os curdos separatistas que pretendem formar seu próprio estado, embora estes combatam o ISIS;
4) para Israel, conter o ISIS e o aumento da influência iraniana no Oriente Médio é prioridade;
5) a Arábia Saudita teme a evolução do fundamentalismo islâmico em seu território, e pretende ver Assad deposto.

Em 06/10/2015, o Sputnik publicou matéria em que a ministra russa das relações exteriores, Maria Zakharova, afirma que seu país não teria ilusões quanto ao regime de Bashar al-Assad. A ambigüidade da política externa russa é proposital. Matéria da Reuters lança holofotes no tema pela declaração do ministro britânico Philip Hammond:

"...Parece um pouco de clássica guerra assimétrica russa -- você tem uma mensagem forte de propaganda que diz que você está fazendo uma coisa quando na verdade você está fazendo uma coisa completamente diferente, e quando desafiado, você simplesmente nega isso terminantemente..."

É um tabuleiro de xadrez tridimensional, muito complexo, com múltiplos atores e adversários, não? Estima-se que 250.000 sírios tenham morrido no conflito. Peões - descartáveis nas estratégias das superpotências. Após o auxílio russo, Assad tem declarado confiança na vitória sobre os terroristas.

A OTAN expandiu presença e operações em resposta a reanexação da Criméia pela Rússia. Matérias recorrentes do Sputnik em sua vertente de propaganda oficial indicam a preocupações de Putin e seus generais. Em 02/10/2015, noticiou a intenção do governo da Hungria de abrigar um novo Centro de Comando das Forças de Reação Rápida da OTAN. No mesmo dia publicou ainda sobre o iminente exercício militar da OTAN (ARRCade Fusion 2015) que terá lugar na Letônia. Em 03/10/2015 de forma jocosa tratou de um navio militar supostamente russo que teria passado ao largo de Mälmo, na Suécia, provocando alarido na mídia báltica.

Estrategicamente, no plano de guerra do Kremlim há uma necessidade premente de demonstrar suas capacidades militares de superpotência diante da evolução da presença da OTAN no Leste Europeu. As recentes invasões ao espaço aéreo turco por aeronaves militares da VKS empregadas no conflito sírio nada mais são do teste de tempo e atitude de reação de um membro OTAN. Sobre as ações da VKS em território sírio, vale a pena conferir a criteriosa cobertura do blog CAVOK.

A motivação russa de socorrer um aliado e cliente militar tradicional como a Síria de Assad é mera dissuasão, cortina de fumaça. Enquanto a propaganda russa demonstra que Putin pretende cooperar com Obama na guerra contra o ISIS, como induz matéria do Sputnik em 28/09/2015, o flanco oeste russo na fronteira com a Ucrânia está cada vez mais militarizado.

O teatro de operações na Síria contra o ISIS constitui um eclipse no real conflito que representa a "Nova Guerra Fria": a guerra civil ucraniana. Estado "colchão" entre os eixos de influência das superpotências, deslocados à leste após o fim da URSS, o conflito na Ucrânia ainda está longe de arrefecer - não há dúvidas que ali se concentram os esforços de Putin.

Particularmente, reitero minha opinião pessoal: se a intervenção russa colaborar para a destruição do ISIS, entendo válida, bem como outras que assim contribuírem. A omissão diante da ameaça ISIS não é uma opção viável.

Fontes:

http://soldadodosilencio.blogspot.com/2015/09/dos-movimentos-russos-no-oriente-medio.html

http://soldadodosilencio.blogspot.com.br/2015/08/jihadistas-para-exportacao-ou-como-o.html

http://www.brasil.rfi.fr/mundo/20150927-guerra-na-siria-pode-ter-guinada-com-envio-de-reforco-militar-da-russia-e-do-ira

http://noticias.r7.com/brasil/eua-e-russia-discordam-sobre-papel-de-presidente-sirio-na-resolucao-da-guerra-civil-28092015

http://br.sputniknews.com/mundo/20150928/2263488/Putin-Obama-cooperaca-terrorismo-combate.html

http://www.cavok.com.br/blog/bulgaria-vai-alterar-legislacao-para-permitir-que-a-otan-possa-patrulhar-o-seu-espaco-aereo/

http://br.sputniknews.com/mundo/20151002/2309978/Hungria-abrigara-Centro-de-Comando-das-Forcas-de-Reacao-Rapida-da-OTAN.html

http://br.sputniknews.com/mundo/20151002/2306879/letonia-quer-montar-palco-de-exibicao-da-otan-para-russia.html

http://br.sputniknews.com/mundo/20151003/2314959/suecia-navio-russia-susto.html

http://noticias.r7.com/brasil/chanceler-britanico-diz-que-russia-conduz-quotguerra-assimetricaquot-na-siria-04102015

http://noticias.r7.com/brasil/assad-diz-que-siria-e-seus-aliados-derrotarao-o-terrorismo-04102015

http://www.cavok.com.br/blog/russia-faz-novos-bombardeios-na-siria-misseis-de-cruzeiro-sao-empregados-pela-primeira-vez-desde-o-inicio-da-campanha-militar-contra-os-jihadistas/

http://br.sputniknews.com/mundo/20151006/2339107/russia-nao-tem-ilusoes-assad-insiste-legitimidade.html

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

"Exercício militar" em Essequibo - Venezuela demonstra força para a Guiana.

E a Venezuela continua jogando petróleo no incêndio com a Guiana e assombrando a "segurança" deste barril de pólvora denominado América Latina. Matérias jornalísticas da Folha, Sputnik e Guyana Chronicle destacam o tema nas últimas horas.

Forças militares venezuelanas realizaram exercício militar na região de Essequibo - foi relatada pela mídia internacional a presença de navios armados e tropas venezuelanas no local. A denúncia é do ministro para relações exteriores da Guiana, Carl Greenidge, veiculada em várias mídias internacionais:

"Estão enviando (da Venezuela) navios armados ao rio Coeroeni, que, como sabem, pertence às águas da Guiana. Além da mobilização de tropas e equipamentos, incluindo um lança-míssil do outro lado da fronteira, o que tenho entendido até agora é que foram ilegalmente posicionadas embarcações em águas da Guiana".


Há fortes indícios e declarações claras do governo de Maduro no sentido de reanexar o território de Essequibo à Venezuela, em contrariedade as fronteiras estabelecidas em tratados internacionais seculares. O pano de fundo são jazidas substanciais de petróleo na região, descobertas pela Exxon Mobil.


O assunto será pautado na Assembléia Geral da ONU. Será que antes ou depois de uma reanexação militar? Nas fronteiras leste e oeste da Venezuela se observa cada vez mais atividade militar, demonstrações de força e dissuasão. Mais uma vez, até onde vai a Venezuela? 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Dos movimentos russos no Oriente Médio: teremos um time de superpotências contra o ISIS?

Várias notícias tem destacado os recentes movimentos de expansão de forças russas junto ao território sírio: Janes, Sputnik, RTP, France Press, etc. O blog CAVOK apresentou uma foto interessante com uma visão de solo das aeronaves dispostas na cabeceira 17L do aeroporto internacional Bassel al-Assad, vale a pena conferir. Eis a visão aérea realizada de um satélite da Airbus Space & Defense:


Com interesses mormente antagônicos em um mundo globalizado e a beira de uma nova guerra fria, teriam a Rússia e os Estados Unidos da América formado uma coalização dissimulada para combater o exponencial crescimento da ameaça ISIS? É uma hipótese acreditada pelo famoso diário alemão Der Spiegel:

"...USA’s Central Intelligence Agency (CIA) and Russia’s Foreign Intelligence Service (SVR) are holding secret negotiations on joint actions against the Islamic State, German Der Spiegel writes. 

Recently US Secretary of State John Kerry remarked that the Russian support in the fight against the terrorists was welcomed. 

However, it is very likely that the opportunity for cooperation between Moscow and Washington, which Kerry talks about, to be at a much more advanced stage than the officially announced. 

Knowledgeable sources from the US intelligence comment that delegations of the CIA and the SVR held a meeting in the Russian capital. The talks were focused on possible military cooperation in the war in Syria..."

Em apertada síntese, os interesses das superpotências no endurecimento das ações contra o ISIS continuam diversos apesar da finalidade comum:

1)  a Rússia pretende: defender seu flanco sudoeste; resgatar um fustigado aliado histórico (a Síria de Bashar al-Assad); proteger outro aliado de uma escalada de riscos (o Irã); e óbvio - demonstrar poder e propaganda, ferramentas de dissimulação aplicáveis a crise no leste europeu.

2) os Estados Unidos da América pretendem: combater o terrorismo internacional enquanto mantém seu hegemônico papel de "polícia do mundo"; proteger um aliado histórico (Israel de Bibi' Netanyahu); evitar o desastre completo de um cenário de conflito recém abandonado (Iraque/Afeganistão);

Aqui é interessante conceber a visão estratégica de um ex-Menumeh de um dos mais eficientes e eficazes serviços secretos do mundo: me refiro a Efraim Halevy e ao Mossad.

"...The Russian move is aimed at saving the Bashar Al-Assad regime from collapse – Russia appears to be the only world power supporting the Syrian president’s survival unconditionally – although it is still unclear how it plans to achieve this goal. Through extensive guidance of new recruits in the dwindling ranks of the Syrian army? By arming the Iranian army and Hezbollah units with upgraded weapons? Where is President Vladimir Putin leading the Middle East?” he asked..."

Rússia e Estados Unidos da América lutando lado a lado parece uma alternativa remota no pós IIª Guerra Mundial. Porém indícios com razoável idoneidade apresentam essa possibilidade real. Decerto também não é exatamente "um time" - quiçá uma operação de tolerância para a mitigação urgente dos anseios fundamentalistas do malfadado califado e suas propaladas barbaridades. 

Na esteira dos fatos, exsurge nas últimas horas a notícia de que Israel e Rússia coordenarão esforços para militares na Síria, com o intuito de evitar confrontos desnecessários.

Em minha modesta opinião, se os esforços realizados forem capazes de exterminar a ameaça que representa o ISIS serão recompensados; o fundamentalismo islâmico desse grupo terrorista representa a pior faceta da humanidade e não deve restar impune.

Fontes:

http://www.janes.com/article/54709/russia-deploys-powerful-strike-group-to-syria

http://www.cavok.com.br/blog/imagens-aeronaves-russas-enfileiradas-em-latakia-na-siria/

sábado, 19 de setembro de 2015

No limiar da guerra: Venezuela e Colômbia se aproximam de conflito

A escalada de tensões militares na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia avança a patamares de conflito bélico ostensivo, e no avançar das próximas horas poderão restar poucas opções aos analistas do que o reconhecimento da existência de uma guerra não declarada em curso na América do Sul. 

Após o fechamento das fronteiras por parte da Venezuela, deportações em massa de colombianos, incursões ilícitas da Força Aérea Bolivariana da Venezuela em espaço aéreo da Colômbia e a troca de farpas diplomáticas, parece não haver evolução positiva a um desfecho diplomático das tensões acumuladas. Há infrutíferos esforços de mediação por parte do governo do Uruguai e do Equador.

Na última semana a Venezuela enviou em pelo menos duas oportunidades sortidas de caças ao espaço aéreo colombiano, gerando protestos formais do governo de Bogotá na ONU. 

Eis que ontem (18/09/2015) chegou a notícia que a Força Aérea Bolivariana perdeu na noite do dia 17/09/2015 um de seus Sukhoi SU-30MK2 na fronteira com a Colômbia, no estado de Apure, de onde havia partido uma das invasões ao espaço aéreo colombiano na última semana. Supostamente a avançada aeronave estaria em missão de interceptação de aeronaves ilícitas potencialmente relacionadas ao tráfico de drogas. Estranho porém não impossível - decerto há outras aeronaves mais adequadas a tal tipo de missão na FABV.


As causas da derrocada do caça não estão esclarecidas, mas diante do alerta aéreo que se estabeleceu na região desde a última semana é possível interpretar dentre as possíveis causas que a aeronave tenha sido abatida. Embora trate-se de um caça robusto e multifunção, decerto a Colômbia detém meios para realizar tal ação em defesa de sua soberania aérea. 

De toda sorte, pouco adianta  o SU-30MK2 ser robusto se não sofrer as manutenções devidas ou se o treinamento de seus oficiais for inadequado... no estado de penúria da Venezuela, tal possibilidade também exsurge para justificar os fatos, embora jamais seria admitida pela cartilha canalha do chavismo barato. A infame piada do caiu de "Maduro"...

Agora por terra. O Exército Colombiano informou que na data de 18/09/2015 pelo menos 15 homens armados da Guarda Nacional Bolivariana da Venezuela invadiram o território colombiano por terra em uma suposta perseguição a um motociclista, tendo disparado suas armas e tocado fogo no veículo abandonado. O cenário foi o município de Maicao, na pronvícia de La Guajira.

Como já tratado em outras postagens neste blog, o governo de Maduro tem insistido em dissimular seus inúmeros problemas internos e o frágil tecido social que ainda recobre a massacrada sociedade venezuelana com o advento de inimigos externos. O "imperialista" da vez é a Colômbia, que supostamente se aproveitaria da fragilidade (leia-se desabastecimento) do mercado venezuelano nas cidades fronteiriças.

Em uma nova versão das tensões belicistas secundárias da antiga guerra fria, a Colômbia é um aliado tradicional dos norte americanos, especialmente em virtude da guerra ao narcotráfico. Por sua vez aliada a indústria bélica russa, no modal do populismo socialóide promovido por Chávez (o passarinho que fala no ouvido do Maduro), o governo da Venezuela tende a esfera de influência de Putin e companhia.

Fontes:

http://soldadodosilencio.blogspot.com.br/2015/09/venezuela-versus-colombia-invasao-do.html

http://soldadodosilencio.blogspot.com.br/2015/09/venezuela-versus-colombia-ii-revanche.html

http://www.infodefensa.com/latam/2015/09/19/noticia-venezuela-extiende-medida-cierre-frontera-colombia-estados-nuevas-zonas-seguridad.html

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/09/caca-venezuelano-cai-perto-da-fronteira-com-colombia.html

http://www.cavok.com.br/blog/acidente-com-su-30mk2-da-venezuela/

http://www.reuters.com/article/2015/09/19/us-venezuela-colombia-idUSKCN0RJ01S20150919

http://www.aljazeera.com/news/2015/09/colombia-venezuela-troops-crossed-border-illegally-150919033612486.html