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terça-feira, 22 de março de 2016

Bruxelas sofre duro impacto terrorista do Daesh

Na manhã de hoje Bruxelas foi o alvo escolhido para mais um atentado terrorista do Daesh. A barbárie do terrorismo fundamentalista continua fazendo vítimas em nome de uma bizarra interpretação do Alcorão.

Imagens dos supostos terroristas em ação no Aeroporto Zaventem.

Foram registrados ataques focalizados nas infraestruturas críticas de transporte público: o aeroporto internacional e o sistema metroviário. As informações preliminares processam pelo menos 34 mortos e quase duas centenas de feridos.

Aparentemente os ataques no Aeroporto de Zaventem foram perpetrados por três terroristas ligados ao Daesh. Dois seriam suicidas, e há buscas no momento pelo terceiro elemento. Não há informações acuradas sobre quantos terroristas teriam participado no ataque ao sistema metroviário.

Quase que diariamente há notícias de novos atentados terroristas sendo perpetrados, entretanto os alvos ocidentais são efetivamente os que mais repercutem na grande mídia. No caso de Bruxelas, charmosa cidade belga que respira o Direito Internacional e é sede da OTAN, não poderia ser diferente.

Sobreleva notar dois aspectos recentes da luta contra o Daesh potencialmente relacionáveis aos fatos de hoje: em primeiro lugar, a prisão em Bruxelas na última semana do foragido terrorista do massacre parisiense, Salah Abdeslam; e em segundo lugar o vazamento da suposta lista de contatos do Daesh que teria sido revelada por um dissidente do grupo.

Em 10/03/2016, tratamos neste blog sobre o que denominei de "ISIS Leak". Ali advertia:

"Se a suposta lista for real, há muito trabalho a ser feito, e deve ser feito rapidamente. De outra forma, se me permitirem uma brevíssima análise preliminar de tendências, vislumbrando a impossibilidade de proteger seus ativos suicidas, é presumível que um elevado número de ativações precoces de ataques do Daesh ocorra em curto prazo. Eis um risco que país algum pode se admitir." 

Espero estar errado, posto que as constantes críticas da mídia especializada (por vezes injustas) aos serviços de Inteligência se revelariam razoáveis se os perpetradores dos atentados de hoje estivessem relacionados na missiva interceptada.

Fato é que a Bélgica está em alerta total contra o terrorismo fundamentalista desde os atentados de Paris. Trata-se de uma nação preparada, equilibrada e desenvolvida. É muitas vezes menor do que o Brasil em extensão territorial, e sua é população bem menor. O nível de cidadania é muitas vezes superior. Bruxelas é uma cidade organizada e moderna. Não havia um grande evento internacional iminente. E ocorreu o que presenciamos hoje.

Por aqui, sequer se consegue aprovar a execução de um concurso público para preencher cargos na ABIN...

Fontes:

http://soldadodosilencio.blogspot.com/2016/03/desertor-do-isis-vaza-lista-com-22000.html

http://edition.cnn.com/2016/03/22/europe/brussels-explosions/index.html

http://noticias.terra.com.br/mundo/explosoes-em-bruxelas-deixam-pelo-menos-13-mortos-e-35-feridos-no-aeroporto,4c29896d2e1704060b5b7812fa90130ecjlxmqj0.html

http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2016/03/atentados-em-bruxelas-expoem-vulnerabilidade-da-europa-terrorismo.html

quinta-feira, 10 de março de 2016

Desertor do ISIS vaza lista com 22.000 nomes/contatos de terroristas

Como podemos chamar isso? ISIS Leak!

Matéria do Pravda.ru e do portal Terra, replicando a mídia internacional indicam que o vazamento de uma lista com 22.000 nomes e contatos de terroristas do ISIS, entregue por um desiludido desertor que se tornou descrente na causa do fatídico califado. Seria um "sonho de consumo" dos serviços secretos envolvidos na luta contraterrorista, que potencialmente verificam nesse instante a veracidade dos dados. 

Imagem da suposta lista apresentada pelo desertor do Daesh

Obviamente, existe a possibilidade de ser mais um subterfúgio de contrainteligência, uma aplicação prática de técnicas de desinformação, uma cortina de fumaça do Daesh, com o objetivo de ganhar tempo, confundir e desviar esforços das Agências de Inteligência.

Se a suposta lista for real, há muito trabalho a ser feito, e deve ser feito rapidamente. 

De outra forma, se me permitirem uma brevíssima análise preliminar de tendências, vislumbrando a impossibilidade de proteger seus ativos suicidas, é presumível que um elevado número de ativações precoces de ataques do Daesh ocorra em curto prazo. Eis um risco que país algum pode se admitir.

Aparentemente, houve uma acentuada queda no poderio e na influência territorial do Daesh. Tomara Deus (e porquê não Allah?) que tal fato seja real e constitua um duro revés as frequentes barbáries do terrorismo internacional fundamentalista. 

Fontes:

http://www.pravdareport.com/news/world/asia/syria/10-03-2016/133767-intelligence-0/

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/03/jihadista-decepcionado-entrega-lista-com-nomes-de-22000-membros-do-ei.html

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Sobre Espiões cubanos no "Mais Médicos": o boato!

O (des)governo brasileiro desmente oficialmente o boato sobre espiões cubanos no programa "Mais Médicos".

Eis uma estranha - senão exótica  - "declaração" oficial de propaganda do governo de conto de fadas sobre um suposto "boato"... talvez essa postagem deveria estar na seção "comédia de segunda-feira", posto que ironicamente reflete a fragilidade genérica da mentalidade de contrainteligência em nossa nação. Mas vamos lá!

Cheiro de Goebbels na propaganda oficial do governo de conto de fadas!

Sabe quando você desmente uma hipótese sem qualquer fundamentação prática em seus argumentos denegatórios? Esta foi a postura oficial no tratamento do fato. Leiam o desmentido oficial publicado no Portal Brasil:

"...É uma grande mentira a existência de espiões cubanos no programa Mais Médicos, que foi criado para levar saúde aos brasileiros, em especial aos mais pobres. 

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil tem somente 1,8 médico para cada mil habitantes. Para se ter uma ideia do quanto esse número é reduzido, nossa vizinha Argentina tem 3,2 profissionais para cada mil habitantes. No Uruguai são 3,7; em Portugal, 3,9; e na Espanha, 4,0.

Para enfrentar esse problema, muitos países têm adotado como solução a contratação de médicos de outros países. Para alcançar a meta estipulada de 2,7 médicos por mil habitantes, o Brasil seguiu o exemplo de outros 60 países do mundo e assinou um acordo para receber médicos cubanos. 

A chegada de médicos estrangeiros ao Brasil é, portanto, uma forma rápida e eficiente usada mundialmente para suprir a demanda por atendimento médico. Entretanto, mesmo ciente da importância dos profissionais cubanos, o Mais Médicos prioriza os brasileiros. Com a expansão do programa, em 2015, 100% das mais de 4 mil vagas foram preenchidas com médicos brasileiros.

O programa também investe na formação de novos médicos no Brasil para que no futuro não seja necessário mais trazer médicos de outros países. Em dois anos, foram criadas 5,3 mil novas vagas de graduação. A meta do programa é alcançar a marca de 11,5 mil novas vagas de graduação e elevar a relação de vagas por 10 mil habitantes de 0,95 em 2013 para 1,34 em 2017.

A única tarefa dos médicos cubanos é levar saúde de qualidade aos brasileiros..."

Agora vamos ao método socrático. Diante da propaganda oficial sobre o "boato", proponho os seguintes quesitos ao raciocínio que apresento:

1) Perceberam que só há menções genéricas ao programa "Mais Médicos" que indicam dados estatísticos fornecidos pelo ministério interessado, o que atenta cabalmente contra a imparcialidade dos dados, especialmente em tempos de contabilidade criativa?

2) Perceberam que os dados estatísticos, que constituem os únicos argumentos apresentados, embora supostamente advoguem pela necessidade da contratação realizada, não guardam qualquer relação específica com a hipótese considerada, ou seja, a possibilidade de existirem espiões entre os estrangeiros contratados?

3) Perceberam que existindo a demanda temporária de contratação de médicos estrangeiros - se, e somente se o programa fosse imparcial e impessoal - não existiria justificativa plausível entre o céu e a terra para especificar a nacionalidade de tais médicos, praticamente restringindo aos cubanos?

4) Perceberam que não há qualquer menção a uma investigação real pelos órgãos de persecução penal e pelos órgãos de inteligência que detenham competência para averiguar a hipótese considerada?

5) Perceberam que a estadia como médico estrangeiro contratado pelo governo federal seria uma estória-cobertura perfeita para um agente em atividade de inteligência?

Não é sequer necessário responder aos meus retóricos quesitos para desqualificar o argumento oficial. Se é ou não um boato, o governo não apresentou ações efetivas e profissionais no tratamento do tema, afeto a segurança nacional.

O modo de desmentir constitui-se uma subreptícia confirmação para qualquer um que pense além de um fetiche ideológico representado por uma estrela vermelha. Aliás, prática repetitiva e vulgar daqueles que confiam que o manual da propaganda nazista de Joseph Goebbels é aplicável indiscriminadamente à dominante ignorância do povo brasileiro, representada por uma única expressão de um líder carismático barbudo quando confrontado com uma corruptiva realidade: "eu não sabia".

Confesso que ainda não tive estômago para ler os outros "boatos" repelidos pelo governo. Acredite quem quiser, certo? Pão e circo.

Há um único fato que emana inconteste diante da manifestação oficial do Portal Brasil sobre o boato no Mais Médicos: o folclore brasileiro sairá fortificado - agora temos o Saci-Pererê, o Curupira, a la-sem-cabeça, os Aloprados, o Espião cubano do mais médicos...

Fontes:

http://www.brasil.gov.br/fatos-e-boatos/materias/boato-sobre-espioes-cubanos-no-mais-medicos

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A vida e morte de Khasiev: um agente russo infiltrado no Daesh

Magomed Khasiev (a.k.a. Yevgeny Yudin). - decapitado pelo Daesh em um dos últimos vídeos da maldita barbárie incontida promovida pelos fundamentalistas via Internet.

 Cenas dos piores capítulos da humanidade.

Este é o nome que instituiu uma polêmica na atuação do serviço secreto russo no cenário do combate contra o Daesh na Síria e no Iraque. Mas antes de discorrer sobre a vida e a morte de Khasiev, é mister uma breve introdução a temática, em homenagem aos novos leitores.

Ainda em Agosto de 2015, muito antes do atual status da campanha russa na Síria contra o Daesh, publicamos texto sob o título "Jihadistas para exportação - ou como o FSB tem enviado fundamentalistas chechenos para preencher as fileiras do ISIS". Baseado em informações de fontes abertas que bebiam da fonte do jornalismo investigativo de Elena Milashina, a publicação em questão destaca uma estratégia ardilosa do serviço secreto russo: incentivar os fundamentalistas chechenos ao êxodo mortal que engrossava as fileiras do Daesh.

Aqui faço breve pausa em ode à bravura de Elena Milashina.

Poucos tem a coragem de discordar crucialmente do pensamento dominante da Rússia vivendo lá. Não julgo nenhum sistema político/econômico/social perfeito, mas o direito de se levantar contra o sistema é necessário, quando este se revela injusto. Como já dissemos anteriormente, alguns corajosos padeceram ao tocar os mesmos sinos que Milashina ora retine poderosamente.

O raciocínio decorrente do estratagema adotado pelo FSB era um tanto óbvio, embora caótico e mal (cruel). Se você pode enviar seu inimigo ideologicamente motivado e perigoso para um mortífero exílio voluntário em um cenário de guerra, excluindo um pária agitador de seu estado federado separatista, você está se livrando de um problema.

Ainda não havia a intervenção militar russa na Síria quando tratamos do tema, o que decerto adiciona alguns graus de perversão ao contexto macabro que se deslinda: fundamentalistas chechenos (russos, de acordo com a federação) sendo enviados a guerra na Síria pelos meios do FSB, onde são posteriormente bombardeados pelo estado da arte da tecnologia militar russa.

Aparentemente o recrutamento de Khasiev pelo FSB seguiu a mesma lógica, com um final ligeiramente diferente.

Matérias do Daily Mail e do portal Catholic.org destacam a vida do agente morto em ação. Khasiev se tornou órfão aos nove anos de idade, sendo adotado por parentes chechenos. Aos 10 anos, se convertou ao islã. Estudou Direito. Em 2014, foi indiciado em uma investigação por posse de drogas e relações com traficantes. Supostamente Khasiev teria confessado em uma gravação ter feito um acordo com o FSB para evitar a persecução penal.

O jornalista russo Anton Naumlyuk relatou ao Daily Mail sobre Khasiev:

"...Anton Naumlyuk, a journalist from Radio Svoboda, said: 'In summer 2014 (he) was caught by FSB people having drugs on him. Khasiev was sent to ISIS via Turkey. From there he was in touch with the FSB and passed information about those who were intended to go to Syria - and who had already got there [...] The last time he passed information about a student of a medical college.'..."
 
 
Há também uma transcrição em inglês das últimas palavras de Khasiev antes de sua decapitação: 
 
"...During all this time I contacted FSB of Russia five times and passed information about six brothers. And when I contacted FSB the last time, I passed information about brother who studied in a medical institute.
 
During the last contact, Shamil [the fixer] told me to wait. And I understood that I had to wait for further instructions.But I couldn't w ait or pass information any further because I was caught and completely exposed by officials of the security service of the caliphate..."

Evidentemente é possível que a vida e morte de Khasiev sejam também um fruto da propaganda do Daesh, no intuito de desmoralizar o FSB. A antítese é possível, entretanto improvável diante do que se sabe historicamente sobre o desenvolvimento das ações do serviço secreto russo. Lietvinenko que o diga.

O portal russo Tass informa o ponto de vista do líder checheno Ramzan Kadyrov. Em resumo, é culpa da CIA e Khasiev não era um agente do FSB:

"...Magomed Khasiev’s murder is a propaganda campaign of the Satanic gang and its patrons from among the Western intelligence agencies. We have no grounds for saying that that he was an intelligence officer. There is every likelihood that he was lured into IS ranks by deceit," Kadyrov wrote on his social network page.

"Upon arrival, having seen the true face of bandits, he could - either privately or in a telephone conversation - to express his opinion about them. Probably, that was what cost Magomed his life. We may say with some degree of confidence that the CIA’s hand was at work here," the Chechen leader said..."

 
Várias foram as oportunidades em que me recordo de um dogma clássico da polemologia: a primeira vítima na guerra é a verdade. A verdade real sobre a biografia de Khasiev já está perdida na polêmica da nova guerra fria.

Eis uma verdade inquestionável, intocada pela guerra: em suas bárbaras campanhas midiáticas, o Daesh continua a chocar a civilização, promovendo uma odiosa retrospectiva das cenas dos piores capítulos da humanidade.

Fontes:

http://soldadodosilencio.blogspot.com/2015/08/jihadistas-para-exportacao-ou-como-o.html

https://www.catholic.org/news/international/asia/story.php?id=65711

http://www.mirror.co.uk/news/world-news/new-jihadi-john-isis-release-6943049

http://www.dailymail.co.uk/news/article-3344214/The-Russian-spy-beheaded-countryman-orphan-recruited-secret-service-caught-drugs.html

http://tass.ru/en/politics/841646

domingo, 29 de novembro de 2015

Reações russas após bombardeiro SU-24M da VKS ser abatido pela Turquia

Há uma frase clássica que costuma vez ou outra se repetir para quem se dedica intelectualmente a polemologia e as relações internacionais em geral: "faltou combinar com os russos".

Potencialmente, a Turquia há de se arrepender de não ter alcançado um panorama exequível de tolerância as operações aéreas russas na Síria - o dia 24/11/2015 não será comemorado no futuro da Turquia.

SU-24M -  Oleg Peshkov (morto em ação) e Konstantin Murahtin (resgatado) integravam a tripulação abatida.

Abater uma aeronave de guerra de uma superpotência em ordem de batalha não é, definitivamente, uma conduta razoável, ainda mais se há dúvida se houve ou não violação do espaço aéreo turco. Pelo que se pode saber, a operação russa em questão evidentemente não iluminava nenhum alvo turco, e considerando a hipótese de ter eventualmente invadido o espaço aéreo de soberania turca, não se destinava propositalmente a tal finalidade.

É fato incontroverso, entretanto, que já houveram incursões aéreas da VKS no espaço aéreo turco, que foram admoestadas publicamente por Erdogan e seus pares. Em tais eventos, após demonstrar certa contrariedade/resistência, a Rússia apresentou desculpas públicas, justificando-os por questões climáticas na região da base de Latakia, que fica a aproximadamente a 30km da fronteira sírio-turca. A Turquia é estado membro da OTAN e se opôs a presença russa na Síria.

Ainda mais incontroversa é a premente necessidade internacional de não escalar tensões no multipolarizado e fragmentário cenário de guerra na Síria. Após os últimos eventos de terrorismo sob o patrocínio do Daesh, a crise entre a Rússia e a Turquia não poderia ocorrer em pior momento.

O presidente russo Vladimir Putin promoveu um duro discurso contra a ação turca:

"...Turkey backstabbed Russia by downing the Russian warplane and acted as accomplices of the terrorists [...] The plane was hit by a Turkish warplane as it was travelling 1 km away from the Turkish border [...] The plane posed no threat to Turkish national security, he stressed.

Putin said the plane was targeting terrorist targets in the Latakia province of Syria, many of whom came from Russia. Russia noticed of the flow of oil from Syrian territory under the control of terrorists to Turkey [...] Apparently, IS now not only receives revenue from the smuggling of oil, but also has the protection of a nation’s military, Putin said. This may explain why the terrorist group is so bold in taking acts of terrorism across the world..."


A OTAN demonstrou apoio formal a integridade do território turco - e embora não condene publicamente demonstra preocupações quanto a ação orquestrada pela Força Aérea Turca. O porta-voz da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos da América no cenário de batalha sírio, Steve Warren, declarou a Reuters:

"...Despite Turkey being a NATO member, the US military spokesman said the downing of the Russian warplane is an issue to be settled between Ankara and Moscow. "This is an incident between the Russian and the Turkish governments. It is not an issue that involves the [US-led coalition operations]. Our combat operations against ISIL (IS, ISIS) continue as planned and we are striking in both Iraq and Syria..."


A resposta militar russa não tardou. Foi anunciado que todos os bombardeios da VKS contaram com escolta de caças, o que não ocorreu na missão do SU-24M particularmente atingida. Segundo matéria do portal Janes.com, a Rússia despachou para apoiar as operações aéreas na Síria baterias do avançado sistema antíaéreo S-400, além do cruzador Movska, que navegará na costa síria próximo a base aérea de Latakia:

"...The S-400 is Russia's most modern long-range SAM system, capable of destroying air-breathing threats at ranges of up to 400 km and ballistic missile targets at shorter ranges. Meanwhile Moskva is armed with a navalised version of the S-300 SAM - the S-300F Fort (SA-N-6 'Grumble') - which has a range of 150 km. Shoigu said the SAM system and the Moskva would be "ready to destroy any air target posing a potential threat to our aircraft..."

S-400 surface-to-air missile - SAM

Muito além das duras palavras e do consistente reforço militar, Putin também impôs medidas econômicas contra a Turquia, além de recrudescer questões diplomáticas relativas a concessão de vistos e alertas genéricos ao turismo.

Conforme o politizado portal russo Sputnik, em discurso no sábado, Recep Tayyip Erdogan teria se desculpado pela ação que culminou no abate da aeronave russa:

"...Este incidente nos incomoda muito. Eu realmente espero que isso não aconteça de novo. Vamos discutir esta questão e encontrar uma solução. Na segunda-feira, Paris será o anfitrião da cimeira do clima internacional, isso poderia ser uma oportunidade para restaurar as nossas relações com a Rússia..."


Matéria replicada pelo Jornal do Brasil retrata as reações de autoridades do Kremlin, dentre as quais as palavras do chanceler russo Serguei Lavrov, de que a Rússia não pretende retaliar militarmente a Turquia, mas realizar a reavaliação de todas as iniciativas bilaterais entre os países.

A crise protagonizada pela Turquia contrasta com a postura de Israel sobre a missão militar russa na Síria. Logo no início das operações militares, houve um protocolo militar conjunto de mais alto nível entre a Rússia e Israel, quando em 22/09/2015 destacamos na postagem então realizada:  

"...na esteira dos fatos, exsurge nas últimas horas a notícia de que Israel e Rússia coordenarão esforços para militares na Síria, com o intuito de evitar confrontos desnecessários..."

Desde então, conforme muito bem ilustra o excelente blog Cavok, houve incursões aéreas da VKS no espaço aéreo de Israel. Dentro de um determinado protocolo conjunto, não houveram incidentes graves.

Cada vez mais o teatro de operações na Síria se assemelha aos paradoxos dos conflitos secundários da Guerra Fria, em sua nova e soturna versão, fermentada pelos bárbaros fatores de desequilíbrio que se impõe com a existência do Daesh.

Fontes:

http://soldadodosilencio.blogspot.com.br/2015/09/dos-movimentos-russos-no-oriente-medio.html

http://www.janes.com/article/56252/russia-responds-to-turkish-su-24-shootdown

http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2015/11/25/chanceler-russo-descarta-guerra-com-turquia/

http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2015/11/25/nyt-putin-considera-se-apunhalado-pelas-costas-apos-queda-do-aviao-pela-turquia/

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/24/internacional/1448377206_491380.html

https://www.rt.com/news/323240-russia-turkey-warplane-downed/

http://br.sputniknews.com/mundo/20151128/2909602/presidente-turco-pede-desculpa-a-russia.html

http://www.cavok.com.br/blog/russos-invadiram-o-espaco-aereo-de-israel/

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Risco iminente: A porosidade dos controles e fronteiras da América Latina


Eminentemente preditiva por natureza, na atividade de inteligência é imprescindível analisar riscos com fito a mitigar ameaças. Desconheço quem diga o contrário.

 Tríplice fronteira: tem gente que acha que o Brasil só tem uma...

Análise de riscos constitui uma importante ferramenta para a mitigação de ameaças e obviamente não é uma ciência exata em nenhuma esfera de atividade do ser humano. Riscos, ainda que minimizados pelos múltiplos fatores incidentes em sua análise ponderada, não devem ser ignorados pelos decisores. 

Mormente por questões culturais, não há uma cultura difundida de contigência e mitigação de ameaças baseadas em metodologias de análise de risco no Brasil, embora haja um incremento nos últimos anos nas ciências relacionadas a administração para a adoção de tais boas práticas. Pois bem. Se na iniciativa privada, marcada pelo dinamismo da sobrevivência mercadológica ainda não temos uma cultura de análise e mitigação de riscos estabelecida em sólidos alicerces, quiçá na burocrática (viés pejorativo) e por vezes esquizofrênica Administração Pública...

Eis o ataque assertivo ao ponto crítico: há um risco iminente, óbvio e diário em nosso subcontinente, que não se limita as questões que asseveramos em recente postagem sobre o "governo de conto de fadas" que vivenciamos - trata-se da porosidade dos controles e fronteiras da América Latina, agravada pela parca/inexistente atuação conjunta dos potenciais controles de segurança e inteligência entre as nações.

Os princípios que fundamentam a presente análise estão postos diante dos olhos de todos. As questões geográficas e biológicas não demandam sequer explicação, basta a mera lembrança: há fronteiras extensas e despovoadas, em biomas com condições severas (selvas tropicais, desertos de altitude, planícies alagadas, pampas patagônicos...). Questões políticas entre as nações sulamericanas não contribuem sobremaneira: multiplicam-se conflitos ideológicos, e há ainda episódios de conflitos territoriais (v.g.: Essequibo), além da incompetência, corrupção e complacência amplamente disseminadas em estruturas institucionais (quando existem).

Diante de tais premissas ao argumento central, resta patente que não se trata de casuísmo - mas é ainda necessário descer a concretude de alguns casos recentes. Brevíssimo emprego de fontes abertas demonstrará o plano geral a pertinência da análise ora conduzida, em sucinta lista:
  1. A Reuters destaca o tráfico de seres humanos (no caso concreto, Sírios em busca de refúgio) em uma rota que perpassa praticamente  toda a América Latina e o Caribe (Brasil inclusive!). Aparentemente, foram detidos por acaso: faltou um registro de vacina de febre amarela.
  2. O portal Terra informa que uma das suspeitas de perpetrar atentados na França passeou recentemente pelas terras sulamericanas, inclusive causando problemas. Sim, passou impune e livremente pelo paraíso tupiniquim.
  3. O El Deber boliviano e o G1 afirmam que três australianos tentaram ingressar em voo da Gol Linhas Aéreas com explosivos em sua bagagem de mão. A origem do voo era Santa Cruz de la Sierra, enquanto o destino era o aeroporto de Guarulhos/SP. O controle que detectou o fato ocorreu no aeroporto de Viru-Viru. Fosse despachada a bagagem, o que presume-se ter ocorrido no atentado contra o avião russo na península do Sinai, restaria improvável sua detecção.

Não defendo sobremaneira que se cerrem as fronteiras transnacionais como alguns ousam propalar em seus fundamentalismos. Vozes nesse sentido exsurgiram na Comunidade Européia chocada com os atentados recentes que se perpetuam. Proibir é diferente de controlar. É imprescindível controlar adequadamente, com interações efetivas de segurança e inteligência, os fluxos fronteiriços.

Enquanto o mundo reconhece essa necessidade e os riscos, bem pautados pela matéria do The Japan Times em nosso caso particular, o governo brasileiro sanciona lei para dispensar controles prévios constituídos historicamente que, decerto, poderiam auxiliar a execução de políticas de segurança e inteligência. Ressalte-se que não foram ainda devidamente especificadas as nações privilegiadas pela benesse. Em nossa "exótica" política externa, presumo que não serão sequer nações que dispensam tratamento recíproco aos brasileiros.

Situações especiais exigem medidas especiais. E potencialmente, as análises de risco devem ser submetidas a uma revisão extraordinária em tais circunstâncias.

Fontes:

http://soldadodosilencio.blogspot.com/2015/11/brasil-governo-do-conto-de-fadas-versus.html

http://www.reuters.com/article/2015/11/20/us-france-shooting-usa-idUSKCN0T820420151120

http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/suspeita-de-participar-de-atentados-em-paris-esteve-no-brasil-diz-equador,4235d36db2352ef2c22fdf7bf5b2fdfa9s5frw2d.html

http://www.eldeber.com.bo/santacruz/detienen-australianos-dinamita-viru-viru.html


http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/11/australianos-sao-impedidos-na-bolivia-de-viajar-com-dinamite-para-o-brasil.html

http://www.japantimes.co.jp/news/2015/11/20/world/paris-attacks-heighten-security-fears-2016-rio-olympics/#.VlIA024vnMx 

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/olimpiadas/rio2016/noticia/2015/11/dilma-sanciona-lei-que-permite-isentar-visto-de-estrangeiros-nas-olimpiadas.html

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Governo da Venezuela considera vulgar espionagem da PDVSA

Matérias do Pravda, Sputnik, Yahoo! e The Intercept afirmam categoricamente: Nicolás Maduro considerou vulgar a espionagem denunciada da PDVSA, estatal venezuelana de petróleo, por órgãos de Inteligência norte americanos. Maduro teria exigido aos Estados Unidos da América que identifique os espiões responsáveis por adquirir as informações.

Sem comentários... desculpe por deixar seu dia pior com esta imagem.

Nossa, o Eduard Snowden deve estar comemorando muito os "grandes frutos" das denúncias dele. Após a expressão de revolta de Dilma e o Maduro em circunstâncias similares com suas respectivas companhias petrolíferas, conhecidas como empresas incorruptíveis e seríssimas, o Obama deve estar com muito, muito medo... Com certeza ele vai suspender todas as atividades de Inteligência que visem adquirir dados negados de outros países.

Ma vá...

Particularmente, considero vulgar o povo venezuelano ser governado há tanto tempo por alguém como Nicolás Maduro e seu falecido antecessor, com quem o primeiro afirma ainda manter contato através de singelos pássaros.

Fazer o dever de casa, nenhum desgoverno populista barato tem feito.

Fontes:

http://port.pravda.ru/busines/21-11-2015/39843-documento_snowden-0/

http://br.sputniknews.com/mundo/20151119/2813782/EUA-espionaram-Venezuela.html

https://br.noticias.yahoo.com/venezuela-exige-eua-revele-identidade-espi%C3%B5es-pdvsa-231034874.html

https://theintercept.com/2015/11/20/venezuelan-president-calls-nsa-spying-on-state-oil-company-vulgar-orders-official-inquiry/

domingo, 22 de novembro de 2015

Ex-espião Jonathan Pollard é libertado após 30 anos

A liberdade do ex-espião Jonathan Pollard é destaque de matérias do G1 e do Diário de Notícias de Portugal. Após o cumprimento de 30 anos de prisão de uma sentença perpétua, o que lhe tornou elegível a liberdade, o ex-espião israelense foi libertado pelo governo norte-americano.

 
Jonathan Pollard é considerado um herói em Israel

Pollard cumpria sentença por espionagem contra os Estados Unidos da América por ter repassado segredos ao estado de Israel - tal sentença sempre foi um dos pontos de tensão política entre os governos, especialmente em função da consistente aliança estratégica existente entre as nações.

Um relevante artigo da Wikipedia relata a biografia de Pollard e suas atividades de Inteligência, especificando como supostamente ocorreu seu recrutamento pelo Mossad, que a princípio desconfiava de tratar-se de um agente duplo.

O Primeiro-Ministro israelense Benjamin Netanyahu congratulou Pollard pela sua libertação em declarações oficiais:

"...O povo de Israel saúda a libertação de Jonathan Pollard [...] Após três longas e duras décadas, Jonathan está finalmente de volta com sua família..." 

Aparentemente não há interações entre a libertação de Pollard e os últimos eventos que interferem nas relações internacionais com a tendência de reaproximação e ações conjuntas entre as grandes potências mundiais.

Fontes:

https://en.wikipedia.org/wiki/Jonathan_Pollard

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/11/espiao-israelense-jonathan-pollard-e-libertado-de-prisao-nos-eua-diz-policia.html

http://www.dn.pt/mundo/interior/estados-unidos-libertam-jonathan-pollard-heroi-em-israel-4894189.html

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Exército Brasileiro sofre ataque hacker

Matéria do G1 e do portal Tecmundo informa que hackers invadiram servidores do Exército Brasileiro no início desta semana, expondo dados pessoais e senhas de parte dos ativos humanos da instituição mais respeitada do Brasil:

"...O Centro de Comunicação Social do Exército confirma a ocorrência do incidente e informa que o assunto está sendo tratado pelo Centro de Coordenação para Tratamento de Incidentes de Rede do Exército. Informa ainda que o incidente não comprometeu os sistemas estratégicos de defesa..." 


A motivação declarada pelos invasores seriam eventuais "trapaças" em competições de segurança digital com a participação de hackers e outros especialistas em segurança de múltiplas instituições, organizadas em ambiente controlado. As "trapaças" teriam sido imputadas aos participantes militares do CDCiber/EB, que vem acumulando vitórias seguidas, despertando polêmicas na comunidade hacker.

Considerando verdadeira tal motivação, classificá-la como infantil e criminosa é pouco diante do ataque a uma instituição que cuida da segurança nacional, com a consequente exposição de sistemas e vidas de militares a múltiplos riscos. Se fossem patriotas interessados na evolução desta nação, os responsáveis pela invasão poderiam contribuir diretamente com o CDCiber para mitigar as falhas. 

Mas essa é minha visão romântica de mundo - alguém que ainda acredita que o Brasil pode ser melhor se os brasileiros se dedicarem a formação de uma sociedade, ao invés do atual aglomerado vil de egoístas marchando ao comando da lei de Gérson perante um governo socialóide que nos tornamos.

De todo modo, ignorando a utopia da responsabilidade social dos hackers, seja qual for a motivação dos invasores a exposição de falhas na estrutura de segurança do EB é gravíssima e merece toda a atenção para seu adequado tratamento e solução. 

Infelizmente, o Governo Federal vem sistematicamente sonegando recursos à evolução dos projetos prioritários do conjunto das forças armadas. E neste caso não se trata sequer de um fruto da incompetência administrativa que tomou conta da gestão federal durante os últimos governos de viés esquerdista.

Se as falhas de segurança ora exploradas são ou não imputáveis  aos absurdos da gestão político-orçamentária brasileira não se pode afirmar no momento. Com certeza a má gestão toma sua parte na rubrica de fatores contribuintes. Caberá ao comitê de crise que se instalou mitigá-las em brevíssimo tempo. 

Queira Deus que os responsáveis respondam adequadamente pelos seus atos, na forma da lei, na medida de suas eventuais participações. E já ouvi dizer de fontes não confirmadas que Deus é brasileiro, apesar do Papa ser argentino...

Fontes:


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Terroristas ameaçam Argentina

No final de outubro a Direção Geral de Inteligência Criminal do Ministério da Segurança da Argentina emitiu um alerta sobre a possibilidade de atentados terroristas contra dois shoppings argentinos.


A origem do alerta seriam representações diplomáticas argentinas. Os supostos autores da ameaça seriam vinculados ao grupo terrorista Ansar Dine, com atuação no Mali, que de acordo com algumas versões detém ligações com a Al Qaeda (enquanto outros lhe imputam conexões com o ISIS).

A despeito do histórico de terrorismo em território argentino, não é muito normal tal tipo de informação ser veiculada em largo espectro na mídia. A eventual motivação específica de atingir centros comerciais na Argentina por um grupo fundamentalista islâmico com baixa atividade fora de suas origens no Mali também não resta evidente. Entretanto, jamais deve-se menosprezar a errática aquisição de alvos "infiéis" por grupos terroristas fundamentalistas.

Supostamente, a presidente Kirchner já havia declarado que o país sofrera ameaças do ISIS. Essa é a mesma distinta senhora extinguiu a SIDE argentina, que respondia pela Inteligência de Estado, a lá Collor em '90. A extinção da SIDE ocorreu na esteira do deprimente espetáculo mórbido que teve seu auge no suspeito falecimento do promotor Nisman, atribuído em certa medida ao persona non grata de Cristina, "Jaime" Stiuso, ex-chefe da inteligência hermana. Curiosamente, tudo ocorre quando há eleições na Argentina, que salvo melhor juízo, pela primeira vez na história terão segundo turno. 

Não é que eu não confie em você, Cristina. É que eu não confio em ninguém! O lado bom da história é que as ameaças não se confirmaram até o presente momento.

Fontes:

http://www.clarin.com/politica/Exclusivo-emiten-alerta-amenazas-terrorista_0_1458454335.html

https://twitter.com/moreira_enzo/status/660114086164897792/photo/1?ref_src=twsrc%5Etfw

http://boainformacao.com.br/2015/10/31/argentina-confirma-ameaca-de-bombas/

http://www.telesurtv.net/news/Alertan-sobre-posibles-atentados-terroristas-en-Argentina-20151031-0011.html

http://www.infobae.com/2015/10/30/1766140-ansar-dine-el-grupo-terrorista-mali-que-se-unio-al-estado-islamico


Você conhece a Hakluyt & Co.?

O que faz um recurso humano altamente treinado e experiente em modernas doutrinas de Inteligência e Contrainteligência ao se aposentar de suas honradas funções públicas? O que sabe fazer de melhor, desde que queira permanecer ativo profissionalmente. Tal realidade não difere para aqueles que se aposentam no MI6.


A Hakluyt é uma empresa britânica privada de Inteligência, envolta em atmosfera de confidencialidade, discrição e elitismo em seus serviços, que supostamente foi fundada e tem em seus quadros grande número de ex-agentes do MI6. 

As prementes necessidades dos altos ciclos corporativos demandam a Atividade de Inteligência tanto quanto as nações; porém, é dispendioso e quiçá impraticável a determinadas empresas manterem ativos especializados no nível adequado aos seus objetivos. Se há demanda por inteligência e um mercado limitadíssimo efetivamente apto a oferecer tais serviços, o valor agregado é extremamente atrativo - e movimenta grandes fortunas. Esse é o contexto de negócio da Hakluyt e outras empresas privadas relacionadas a inteligência.

Recente matéria do The Guardian afirma que Sir Iain Lobban, ex-chefe do GCHQ britânico, se associou em serviços da Hakluyt após seu desligamento:

"...From time to time, Shell has drawn on the services of Hakluyt, the Mayfair-based intelligence company. Separately from his work with Shell, Lobban will sit on the advisory board of Hakluyt’s holding company, the Holdingham Group, alongside senior business figures including the former chairmen of Rolls-Royce, GlaxoSmithKline and Unilever.

Lobban joins a succession of former spies and diplomats who have become associated with Hakluyt since it was formed nearly 20 years ago. It draws on a network of associates around the world who provide regional and local information, making the company popular among its blue-chip clients.

Hakluyt staff include numerous former senior government advisers, and in recent years the company has met and dined with top civil servants including the cabinet secretary, Jeremy Heywood, and David Cameron’s national security adviser, Kim Darroch, who stepped down in September. A spokesman for Hakluyt, which declined the Guardian’s request for an interview, said the company does not talk to the press. Lobban declined to comment when approached by the Guardian..."

Apesar da típica aversão ao marketing e a mídia, alguns episódios apresentam supostas interações com elementos da Hakluyt. A plataforma ativista Sourcewatch.org indica ações relacionadas a espionagem no Greenpeace, além de prestações de serviços a Enron e a Shell. Historicamente, há uma polêmica que supostamente vinculada aos serviços da Hakluyt, envolvendo a morte de um cidadão britânico na China em circunstâncias suspeitas, de nome Heywood. Matéria do Standart afirma a suposta ligação de Heywood com interesses de então eminentes políticos chineses e seus eventuais serviços a Hakluyt.

Talvez a Hakluyt & Co. conheça você. A única razão para tanto é o quão valoroso você pode ser aos interesses de algum de seus clientes espalhados pelo mundo. Afinal, todos somos alvos da Atividade de Inteligência, seja no âmbito das nações ou não - o que varia é a escala de atribuição de importância entre os alvos, e obviamente, o custo benefício da informação/ação que se pretenda executar.

Fontes:

https://wikispooks.com/wiki/Hakluyt

http://www.standard.co.uk/news/london/mi6-a-death-in-china-and-the-very-secretive-mayfair-company-full-of-spooks-7603151.html

http://www.sourcewatch.org/index.php/Hakluyt_%26_Company_Limited

http://www.theguardian.com/uk-news/2015/nov/05/former-head-gchq-sir-iain-lobban-adviser-shell-hakluyt

domingo, 1 de novembro de 2015

Atualizações da "Nova Guerra Fria": propaganda enganosa, receios submarinos e a Síria pelos infantes

É notório que as tensões entre Estados Unidos da América e Rússia continuam a se intensificar na medida que o conflito na Síria e os jogos de guerra centrados no leste europeu baseados na guerra civil Ucraniana evoluem.


Uma "Nova Guerra Fria"? 

Particularmente, sou partidário da corrente de pensamento que considera que a Guerra Fria nunca tenha efetivamente arrefecido ao ponto dos focos de calor terem se extinto. Mas a taxonomia da história se reflete na polemologia e costuma fragmentar a cadeia de eventos em marcos, e decerto o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas é um ponto de curva considerável no diagrama histórico.

A politizada agência Sputnik alardeou as palavras do porta voz da Casa Branca Josh Earnest, que teria declarado que não há uma "Nova Guerra Fria" utilizando um argumento no mínimo tosco:

"...O porta-voz oficial da Casa Branca, Josh Earnest, declarou que o assunto de uma suposta Guerra Fria entre Rússia e EUA não está em pauta no momento porque a Rússia não representa mais uma superpotência, como o era na época da União Soviética.

"Não há dúvidas de que nós temos sérias divergências, principalmente sobre Ucrânia e Síria. Mas a Guerra Fria foi caracterizada pela confrontação entre duas superpotências. Agora, a situação é outra. A Rússia não é mais uma superpotência" – disse Earnest..."

Eu entendo que o papel do porta voz não costuma habilitá-lo ao livre exercício de um raciocínio histórico - mas enveredar para a propaganda enganosa não será producente. É inegável que a Rússia constitui uma superpotência mundial.

Os crescentes sinais de dissonância não se limitam a expansão das esferas de influência ou a discursos tendenciosos. Recente matéria do The New York Times revela um dos temores da inteligência americana: a possibilidade de um ataque submarino russo aos sistemas de cabos de comunicação que atravessam os oceanos.

Supostamente tais receios submarinos são fruto de operações de reconhecimento de belonaves nucleares da Rússia nas proximidades de sistemas críticos dos cabos de comunicação oceânicos. O potencial de um ataque que segmentasse os cabos é extremamente relevante, e decerto figuram em rol de alvos de alto valor a comunicação internacional no ocidente. 

Adquirir alvos que constituem infraestruturas críticas em eventual conflito é papel da inteligência militar de uma superpotência. Josh Earnest potencialmente dispõe de meios para alcançar esse entendimento - mas como asseveramos, não é pago para falar o que pensa. 

No teatro sírio, a recente implementação de forças especiais norte americanas em terra para combater o ISIS não é meramente protocolar, e também merece entrar no rol dos sintomas estudados. E mais uma vez, não é mera propaganda. Conhecer as atitudes de um potencial inimigo, "espelhando" suas operações em um cenário comum é uma relevante estratégia para evoluir doutrinas de combate no intuito de gerar o diferencial que possa alavancar vitórias.

Os argumentos ingênuos só servem as propagandas de ambos os lados do conflito. Quando se trata de estratégia militar que fundamenta a defesa nacional contra todos os potenciais cenários ameaçadores, nenhuma superpotência mundial fingirá boiar na superfície ignorando a abissal profundidade do mar belicista.

Fontes:

http://br.sputniknews.com/mundo/20151030/2605389/washington-nega-volta-guerra-fria-explica-porque.html

http://www.nytimes.com/2015/10/26/world/europe/russian-presence-near-undersea-cables-concerns-us.html?mwrsm=Email&_r=4

http://www.independent.co.uk/life-style/gadgets-and-tech/news/us-intelligence-fears-russia-could-crash-internet-by-cutting-subsea-cables-a6708651.html

http://noticias.r7.com/brasil/forcas-especiais-na-siria-nao-implicam-entrada-dos-eua-na-guerra-civil-diz-kerry-31102015


A maior catástrofe aérea russa

A queda do Airbus A321  russo da companhia Kogalymavia na península do Sinai no Egito é a maior tragédia aérea da história da Rússia. A fatalidade assolou 217 passageiros e 7 tripulantes, conforme informações da agência Sputnik.


Como em todo acidente aeronáutico, amplas são as possibilidades do que pode ter ocorrido, e a devida investigação dos fatos culminará em uma explicação adequada para a tragédia.

Relatos não confirmados indicam que a amplitude do sítio dos destroços indica que a aeronave se desintegrou no ar, o que de forma meramente precária e não conclusiva poderia ser compatível com um ataque terrorista. Matéria replicada no portal Terra afirma citando fontes oficiais russas que fotos de satélite apresentam um sítio de destroços com mais de 16 quilômetros quadrados de extensão.

A priori a possibilidade de terrorismo não pode ser descartada - assim como todas as outras possibilidades. A teoria terrorista emerge imediatamente de um fato: a motivação para uma eventual ação do gênero por parte de grupos bárbaros como o ISIS é real e significativamente aumentada após a intervenção russa na Síria. As ameaças nesse sentido tem sido constantes, e nas últimas semanas foram indicadas em postagens neste blog.

O terrorismo internacional sempre apostou em atos ilícitos contra sistemas aeronáuticos, em virtude do impacto mundial de tais alvos e infraestruturas críticas. Inúmeros são os exemplos trágicos de tal estratégia na história moderna. De fato, uma facção do ISIS atuante no Egito reivindicou ter causado a queda do avião - o que pode ser puro oportunismo propagandístico diante do advento da tragédia.

Análises prematuras tendem a fracassar em suas conclusões. A guarda dos serviços de contrainteligência russos já está alta há tempos, se é que em algum momento da história esteve baixa. Condolências as famílias das vítimas de mais uma terrível tragédia aeronáutica.

Fontes:

http://soldadodosilencio.blogspot.com.br/2015/10/terroristas-lancam-obuses-contra.html

http://soldadodosilencio.blogspot.com/2015/10/fsb-impede-dois-atentados-terroristas.html

http://br.sputniknews.com/mundo/20151101/2615479/moscou-cairo-investigam-catastrofe-aerea-russa.html

http://noticias.terra.com.br/ciencia/espaco/fotos-tiradas-do-espaco-facilitam-buscas-no-local-de-queda-de-aviao-no-egito,78c67bad814b82b0bb65d700e5061a9bbz1fmqbc.html


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

MI5 alerta diante de possíveis ataques terroristas do ISIS

Andrew Parker tem ratificado sistematicamente o risco de ataques terroristas do ISIS contra alvos britânicos - em recente discurso, o chefe do MI5 afirma que a ameaça atual ao Reino Unido é a maior de toda sua carreira. 


Matéria do The Guardian destaca as palavras de Parker em defesa de tecnologias de vigilância em massa que capacitem a inteligência no combate ao terrorismo, diante da possibilidade de alterações nos poderes investigativos do governo:

"...We do not seek sweeping new intrusive powers in that legislation, but rather a modern legal framework that reflects the way that technology has moved on, and that allows us to continue to keep the country safe. [...] It may not yet have reached the high water mark, and despite the successes we have had, we can never be confident of stopping everything [...] We are seeing plots against the UK directed by terrorists in Syria; enabled through contacts with terrorists in Syria; and inspired online by Isil’s  sophisticated exploitation of technology. [...] It uses the full range of modern communications tools to spread its message of hate, and to inspire extremists, sometimes as young as their teens, to conduct attacks in whatever way they can. [...] Those providers rightly want to maintain the privacy and security of their customers’ data – but they also have an obligation, and I would argue an ethical responsibility, to work with law enforcement and other agencies to prevent their services being used for the purposes of serious crime and terrorism. [...] But I hope that the public debate will be a mature one, informed by the three independent reviews, and not characterised by ill-informed accusations of ‘mass surveillance’, or other such lazy two-worded tags...”

Parker tem repetido sistematicamente que vários planos terroristas foram desmascarados recentemente, sendo pelo menos seis no Reino Unido e outros em alvos ultramarinos, com grande auxílio da exploração sistemática de metadados em modernos programas de inteligência.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

John Brennan revoltado, CIA ridicularizada: graves repercussões de uma falha pessoal.

Ser diretor de uma grande Agência de Inteligência não é tarefa fácil. Se é verdade que barco singra o mar à imagem do exemplo de trabalho de seu capitão, a CIA deverá rever muitos aspectos de sua atividade em função do escândalo que envolve a falha pessoal de John Brennan.


Desde o dia 21/10/2015 quando tratamos em postagem a brecha que vitimou o diretor da CIA, muitas repercussões ganharam corpo em coleta OSINT. A CNN apresenta a revolta de John Brennan, em recentes declarações perante conferência na George Washington University:

"...I was certainly outraged by it [...] I certainly was concerned about what people might try to do with that information, [...] I was also dismayed at how some of the media handled it, and the inferences that were in there. [...] Although we are government officials, we also have family and friends, bills to pay, things to do in our daily lives, and the way you communicate these days is through the Internet, [...] The implication of some of the reporting was that I was doing something inappropriate or wrong or a violation of my security responsibilities - which was certainly not the case. [...] What it does is to underscore just how vulnerable people are to those who want to cause harm, [...] We really have to evolve to deal with these new threats and challenges..."

Resta claro o esforço de Brennan em desvincular sua gestão de uma atitude negligente na mentalidade de contrainteligência ou incapacidade pessoal, vinculando o caso a uma oportunidade de estudo das atuais ameaças cibernéticas.

Quanto a primeira parte do argumento, duvido que seus pares desvinculem o escândalo pessoal de sua gestão profissional, embora por mera aparência possivelmente o façam. Pela segunda parte, concordo: é um caso a se estudar quando um suposto adolescente em manobra de engenharia social ganha acesso a uma "esquecida" conta de e-mail pessoal de um diretor da CIA, com informações sensíveis as suas atividades profissionais. 

Matéria da Associated Press destaca a relativa sensibilidade dos conteúdos acessados pelo hacker, conforme expresso no vazamento de documentos propalado pelo WikiLeaks, que incluem temas relativos ao Irã e aos métodos de tortura aplicados pela CIA: 

"...The WikiLeaks organization posted material Wednesday from what appears to be CIA Director John Brennan’s personal email account, including a draft security clearance application containing personal information. [...] The documents all date from before 2009, when Brennan joined the White House staff; before that, he was working in the private sector. Aside from the partially completed clearance application, none of the documents appears to be sensitive.

The documents include a partially written position paper on the future of intelligence, a memo on Iran, a paper from a Republican lawmaker on CIA interrogations and a summary of a contract dispute between the CIA and Brennan’s private company, the Analysis Corporation, which had filed a formal protest after losing a contract dealing with terrorist watch lists..."

A matéria da AP também relata a postura oficial da CIA - condenação a conduta do hacker e apoio incondicional a vítima:

"...A CIA statement called the postings a “crime.” [...] "The Brennan family is the victim,” the agency said in an unattributed statement, in keeping with agency policy. “This attack is something that could happen to anyone and should be condemned, not promoted. There is no indication that any the documents released thus far are classified. In fact, they appear to be documents that a private citizen with national security interests and expertise would be expected to possess..."

Aparentemente o suposto hacker autointitulado "Cracka" não tem expectativas de permanecer anônimo, teme por sua vida. É o tema de nota do Daily Mail. Se eventualmente for mesmo um adolescente, deve estar no porão de pais que sequer conhecem dos fatos. Sinceramente, é difícil acreditar que seja um garoto de 13 anos o autor da façanha. Na guerra cibernética a verdade também é a primeira vítima.

Embora os esforços para diminuir a dimensão do escândalo sejam louváveis, é patente que há vários assuntos sensíveis que foram desvelados. A NDTV da Índia destaca a visão de Brennan em documento destinado a Obama sobre a interação entre terroristas afegãos, o governo Paquistanês e seu conflito com a Índia:

"...Pakistan uses terrorists as proxies to counter India's growing influence in Afghanistan, according to a set of documents released by WikiLeaks from the hacked personal email account of Central Intelligence Agency (CIA) director, John Brennan. The documents, released by the whistle-blower website and deemed classified by the CIA, contained reports on Afghanistan and Pakistan, and also ideas for US policy towards Iran.

Three days after Barack Obama was elected US President in November 2008, Mr Brennan wrote to him in a position-cum- strategy paper that Pakistan uses the Taliban to counter India in Afghanistan. "Pakistan's desire to counter India's growing influence in Afghanistan and concerns about US long-term commitments to Afghanistan increase Pakistan's interest in hedging its bets by ensuring that it will be able to have a working relationship with the Taliban to balance Indian and Iranian interests if the US withdraws," Mr Brennan wrote on November 7 in 2008.

At that time, Mr Brennan was a top foreign policy and counter-terrorism adviser to Mr Obama, then a president-elect. Mr Brennan was in the running to be CIA Director, but the post, however, went to Leon Panetta. In January 2013, President Obama nominated Mr Brennan as CIA Director. His views on Pakistan were disclosed in a 13-page executive summary of key findings and recommendations on Afghanistan and Pakistan.

Mr Brennan, in the summary, said efforts in the Federally Administered Tribal Areas (FATA) have been challenged by Pakistan's ambivalence and perhaps outright support for, the Taliban. "While the US Intelligence Community differs on the extent of the relationships, at least some elements of Pakistan's military and intelligence services appear to be ambivalent about the anti-Taliban and anti-militant mission in the FATA, in part due to their history of close ties to the Taliban in Afghanistan's conflict with the Soviet Union and Pakistan's use of militant proxies in its conflict with India," he wrote.

Coalition forces have won every major battle with Afghan insurgents, but these tactical successes have not resulted in a strategic victory, largely because insurgents are free to regroup in sanctuaries across the Afghanistan-Pakistan border, he wrote. On Wednesday, WikiLeaks began publishing documents from "Brennan's non-government email accounts". They appear to date back to 2007-09, when Mr Brennan worked in the private sector..."

Aposto que Putin deve ter rolado no chão de tanto rir. A agência Sputnik apresenta uma série de matérias explorando os documentos vazados do e-mail de Brennan. Fato é que a imagem da CIA restará mais uma vez ridicularizada em função da falha pessoal de um de seus principais atores.

A lição do crescente escândalo envolvendo Brennan e o "Cracka" é simples e fatal: ninguém jamais estará imune as preparações básicas de contrainteligência. Estivessem tais documentos criptografados adequadamente em um canal seguro para sua difusão, o eventual acesso não autorizado ao e-mail pessoal por um golpe de engenharia social seria potencialmente irrelevante.

Fontes:

http://soldadodosilencio.blogspot.com/2015/10/hacker-adolescente-teria-invadido-email.html

http://edition.cnn.com/2015/10/27/politics/john-brennan-email-hack-outrage/

https://www.washingtonpost.com/politics/wikileaks-publishes-cia-director-john-brennan-emails/2015/10/21/5e37c758-782c-11e5-a5e2-40d6b2ad18dd_story.html

http://www.ndtv.com/india-news/pak-used-taliban-to-counter-india-in-afghanistan-cia-chiefs-hacked-emails-1236355

http://sputniknews.com/us/20151022/1028905336/CIA-Operated-Within-US.html

http://www.dailymail.co.uk/news/article-3286700/Hacker-Cracka-got-CIA-Director-John-Brennan-s-AOL-account-believes-caught.html

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Hacker adolescente teria invadido email do diretor da CIA John Brennan


Qual é o elo fraco da Contrainteligência? Essa pergunta é a mais fácil aos iniciados no tema, que em coro bradam a alta voz, em uníssono: o ser humano. Tal raciocínio se aplica também ao diretor da CIA, John Brennam.


Supostamente utilizando um golpe clássico de engenharia social um hacker adolescente norte-americano (que ainda permanece) anônimo teria garantido acesso a uma conta de email pessoal do diretor da CIA que com informações sensíveis. É o que revelam matérias do The Washington Post, ABC News e do Computer World.

Para provar o feito, o hacker teria postado alguns documentos na web que comprovariam a invasão, e dentre estes estaria um formulário preenchido com informações sensíveis relativas a uma credencial de inteligência de alto nível, além de vários contatos de Brennan.

Não é o primeiro escândalo que eclode relativo à "emails" e "inteligência" nos Estados Unidos da América neste ano: Hillary Clinton também já esteve nos noticiários mundiais nesse tema. Ressalte-se também a absurda janela de oportunidade que se formou diante dos adversários do Tio Sam a brecha no OPM estadunidense. Ambos os casos foram oportunamente tratados em breve análise deste blog.

Fato é que autoridades e instituições americanas com potencial relacionamento com a Atividade de Inteligência são alvos constantes de ataques cibernéticos, e decerto deverão reavaliar suas condutas e mentalidade de Contrainteligência para mitigar o risco de sua exposição.

Afinal, "caiu na net" não é só para pornografias...

Fontes:

http://soldadodosilencio.blogspot.com/2015/09/hillary-clinton-email-pessoal-e.html

http://soldadodosilencio.blogspot.com/2015/09/the-opm-breach-seguranca-cibernetica.html

http://www.wsj.com/articles/cia-directors-private-email-account-was-hacked-news-report-says-1445273851

http://abcnews.go.com/Politics/wireStory/hacker-claims-breached-cia-directors-personal-email-34578663

http://www.computerworld.com/article/2994451/cybercrime-hacking/stoner-high-school-kid-claims-to-have-hacked-cia-directors-email-account.html

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

"Expert" da FOX News preso por mentir sobre passado na CIA

Wayne Shelby Simmons, 62 anos, assombrará a credibilidade jornalística do conglomerado de mídia da 21st. Century FOX durante um bom tempo por uma única razão: é um habilidoso engenheiro social.


Supostamente um renomado especialista na Atividade de Inteligência, Simmons era comentarista convidado da FOX News desde 2002 e se gabava de contar com 27 anos de experiência operacional na CIA. 

Eis que exsurge a verdade: Simmons nunca trabalhou para a CIA - e está sendo processado criminalmente por fraude, dentre outras acusações. Matéria do The Wall Street Journal detalha as peripécias do charlatão:

"...Wayne Shelby Simmons, 62 years old, a Fox News guest commentator [...] was indicted by a grand jury on felony charges, including lying about being an “outside paramilitary special operations officer” for the CIA from 1973 through 2000. [...]

In a complaint unsealed Thursday, the authorities charge that Mr. Simmons used made-up credentials to secure government work as a defense contractor and to obtain related security clearances, including a deployment overseas as an intelligence adviser to senior military personnel.

The complaint doesn’t identify where Mr. Simmons worked. But on multiple biographical accounts, Mr. Simmons said he served as senior intelligence adviser for the Counterinsurgency Advisory and Assistance Team at United Nations International Security Assistance Force headquarters in Afghanistan.

The Annapolis, Md., man, is accused of lying on national security forms, claiming that his prior arrests and criminal convictions were directly related to his intelligence work with the CIA, and that he had held top secret security clearance from 1973 through 2000.

With those false credentials, the authorities charge, Mr. Simmons secured temporary secret security clearance and was hired by a defense contractor as a “human terrain system team leader,” as part of a since-shuttered U.S. Army program that embedded social scientists with the military in Afghanistan and Iraq as cultural advisers.

In biographical accounts, Mr. Simmons said he had come out of retirement in 2008 and trained as leader of a human terrain team that was scheduled to deploy to Afghanistan. Mr. Simmons didn’t complete the training and wasn’t deployed, according to the complaint.

He again submitted the false credentials and his experience as human terrain team leader to secure the job of senior intelligence adviser..."

Resumindo, além de enganar a FOX News e o público americano por mais de uma década com suas mentiras e engenharia social, Simmons efetivamente chegou a ser contratado como especialista em um programa de terceirização militar do exército norte-americano, e por tal razão chegou a ter credenciais temporárias para acesso a informações privilegiadas.

Dentre as bobagens destacadas em múltiplas inserções televisas de Simmons na FOX News ao longo dos anos, ele supostamente disse que:

1) que ele poderia executar um plano para destruir o ISIS em uma semana;
2) que ele pessoalmente esteve em uma sala onde um narcotraficante teria extirpado a língua de alguém que estava sob um torturante interrogatório.
3) que o FBI realizava "background checks" ruins;

Resta provado que a FOX News realiza "background checks" ruins, em especial quanto a seu comentarista da Atividade de Inteligência. 

Fontes:

http://www.wsj.com/articles/purported-cia-operative-indicted-on-fraud-charges-1444970064

http://www.theguardian.com/media/2015/oct/16/fox-news-analyst-arrested-for-lying-about-working-as-a-cia-agent

http://thinkprogress.org/world/2015/10/16/3713099/fox-news-wayne-simmons/

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Snowden denuncia Smurfs!

Mas não estou falando dos simpáticos amiguinhos azuis da floresta que povoaram a infância de uma geração inteira de crianças na época que mangá era só uma grafia errada para uma fruta tropical.

Perdão... Não pude resistir a essa piada pronta...
Matéria do portal TechTudo citando artigo da BBC destaca que smurfs trata-se de um avançado sistema interativo provido pelo GCHQ britânico que permite ganhar total controle de um smartphone por clientes estatais da Atividade de Inteligência através de uma mensagem de texto encriptada que atua sobre o aparelho alvo.

Especificando as várias suítes do sistema Smurfs, Snowden teria detalhado ao programa Panorama da BBC:

"Dreamy Smurf is the power management tool which means turning your phone on and off without you knowing [...] Nosey Smurf is the 'hot mic' tool. For example if it's in your pocket, GCHQ can turn the microphone on and listen to everything that's going on around you - even if your phone is switched off because they've got the other tools for turning it on [...] Tracker Smurf is a geo-location tool which allows [GCHQ] to follow you with a greater precision than you would get from the typical triangulation of cellphone towers..."

O GCHQ (Government Communications Headquarters) é a versão britânica da propagandeada NSA norte-americana. Na verdade, trata-se aqui especialmente da agência que surgiu do legado de trabalho de Alan Turing e equipe, institucionalizada em sua importância após a operação ULTRA de Bletchley Park. Sua especialidade máxima desde os primórdios: SIGINT.

Na boa, vou desligar meu telefone, retirando a bateria inclusíve... Se não der certo e continuar assim, teremos que chamar o Gargamel e armá-lo melhor. Talvez o Putin nos ajude!

Fontes:

http://www.tudocelular.com/seguranca/noticias/n61962/snowden-denuncia-programa-smurfs.html

http://www.bbc.com/news/uk-34444233

http://www.gchq.gov.uk/Pages/homepage.aspx

http://i0.wp.com/hienarabugenta.com.br/wp-content/uploads/2011/09/daily_picdump_788_640_81.jpg

domingo, 11 de outubro de 2015

Fontes iranianas acusam o Mossad de provocar tumulto mortal em Mecca

O Mossad está envolvido em operações de inteligência improváveis e realmente fantásticas... mas a desinformação iraniana provavelmente exagerou dessa vez: supostamente o serviço secreto israelense foi acusado pelo Irã de provocar o tumulto mortal nos arredores de Mecca para abduzir oficiais iranianos.

As fontes iranianas remontam a uma agência de notícias denominada "al-Nahrain-net", e seriam supostamente baseadas em relatórios preliminares de "alguma inteligência européia". Tal reporte preliminar indicaria participação de agentes israelenses e sauditas no tumulto que ocasionou quase 800 mortes e mais de 1000 feridos em um ritual de apedrejamento de pilastras que representariam o demônio. Obviamente, Arábia Saudita e Israel são os maiores adversários regionais do Irã.


A matéria da Salem-News informa seis potenciais vítimas: 

"...According to this report, the former Iranian ambassador to Lebanon, Ghazanfar Roknabadi, is believed to have kidnapped in the deadly stampede. Mr. Roknabadi is considered an eminent member of the Supreme Leader's office staff and a figure who is well-informed regarding the secrets of arming Hezbollah by Tehran. Ali Asghar Fouladgar, the head of IRGC's institute for strategic studies, is also identified as missing. Hussein Danesh, Fo'ad Mashghali, Ammar Miransari and Seyyed Hasan Hasani - all members of IRGC or Iran's Supreme Leader's office for the pilgrimage, are declared missing..."


A agência iraniana Tanseem replica a mesma notícia. O website Breaking News Israel apresenta a versão desta última fonte iraniana:

"...The reason Tanseem pins the notion that the stampede was an Israeli-Saudi collaboration on information in the Western intelligence report indicating that “it is impossible that Mossad agents could carry out such an operation without coordination with Saudi intelligence, and perhaps with the assistance from one or more Western intelligence services.”

Tanseem says its sources confirmed that former Iranian Ambassador to Lebanon Ghazanfar Abadi is among the missing in Mina, and as he is one of the most important figures in the office of the commander of the revolution, and possibly the most prominent figure familiar with the secrets of Iranian armament of Hezbollah in Lebanon, it follows that he could have been targeted in the “Mossad stampede..."

Uma avaliação particular: desinformação pura, e provavelmente de jornalismo sensacionalista tendente a teorias da conspiração, desvinculada de qualquer inteligência efetiva.
 
Rápida pesquisa demonstra que a própria agência oficial de notícias iranianas (IRNA), replicada em agência de notícias Albawaba, após semanas de desaparecimento, confirmou a morte de Ghazanfar Roknabadi no tumulto de Hajj. 
 
Imputar as responsabilidades de um acidente multitudinário historicamente recorrente nas festividades islâmicas a inimigos clássicos é uma forma de justificar os fatos, deixá-los mais aceitáveis - ou mais comerciais, no caso de um jornal sensacionalista.

Fontes:

http://www.breakingisraelnews.com/49934/iranian-news-agency-blames-mossad-saudis-for-staging-mina-stampede-to-abduct-senior-iranians-middle-east/#UqtzSIilu2sLJyjV.97

http://en.abna24.com/service/middle-east-west-asia/archive/2015/10/01/713133/story.html

http://www.salem-news.com/articles/october042015/mecca-irgc-abductions.php

http://www.timesofisrael.com/senior-iran-diplomat-missing-after-hajj-tragedy/

http://www.albawaba.com/news/former-iranian-envoy-lebanon-killed-hajj-stampede-749806