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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

PF prende contrabandistas de pedras preciosas... e urânio!

Na última semana a Polícia Federal realizou a "Operação Soldner", no combate a uma quadrilha internacional de contrabando de recursos minerais sediada no Brasil, dentre os quais pedras preciosas e urânio. É o destaque de matérias do G1, Veja, Estadão, dentre outros.

Recentemente tratamos sobre a porosidade das fronteiras na América Latina.

Aparentemente um dos líderes da organização criminosa é o alemão Heiko Helmuth Emil Seibold, radicado em Goiânia, casado com uma brasileira. 

O curioso é que Seibold já apareceu há muito tempo nos radares da inteligência e segurança nacionais. Foi acusado de recrutar brasileiros como mercenários para empreiteiras de segurança em zonas de conflito no já longínquo 2005, juntamente com outro alemão, Frank Guenter Salewski. O destino dos mercenários tupiniquins era  a então pujante guerra no Iraque.

Semiótica holywoodiana para mercenários...

Eis o trecho da matéria do G1:

"...A organização criminosa é dividida em dois grupos. O primeiro era responsável pela comercialização ilegal das pedras preciosas. Já a outra parte seria composta por autônomos e pequenos empresários que comercializavam, mediante fraude, títulos da dívida pública e moeda estrangeira, em transações financeiras envolvendo bancos venezuelanos. Os investigadores suspeitam que o comércio de moedas e títulos estaria vinculada à lavagem de dinheiro do grupo...."

Eis trecho relevante da matéria da Veja:

"...No decorrer das investigações, os policiais federais descobriram que, além das remessas do minério, a organização também era especializada em enviar pedras preciosas, principalmente diamantes. Os carregamentos eram enviados para Europa e de lá eram distribuídos para Israel e Dubai. A quadrilha era sediada em Goiânia com filiais em Minas Gerais, Distrito Federal, São Paulo, Pará, Pernambuco e Tocantins.

Dos acusados que tiveram a prisão temporária decretada, cinco foram detidos e outros cinco estão foragidos. Entre os que são procurados há dois estrangeiros: o marroquino com cidadania francesa Baruk Pilo e o alemão Heiko Helmuth Emil Seibold, que é casado com uma brasileira e mora em Goiânia. Os nomes e as fotografias da dupla foram enviados para a Interpol para que uma ordem de captura internacional seja expedida..."

Obviamente a simples menção a palavra "urânio" no mesmo contexto de "contrabando" e "terrorismo transnacional" conclama grandes atenções da mídia. Entretanto, as aplicações militares da exploração de urânio não se limitam unicamente a complexa produção de artefatos nucleares - o urânio empobrecido já foi amplamente utilizado em blindagens e projéteis de alta perfomance, por exemplo.

Se o interesse específico era o urânio com finalidades nucleares de enriquecimento, creio que o destinatário final não seriam organizações terroristas, mas sim nações que pleiteiam tecnologia nuclear e sofrem embargos à aquisição das matérias primas. 

Outro destaque interessante nas matérias é a referência a um esquema que traficava tantalita por conexões escusas na Bolívia e na Venezuela. Outro mineral com largo emprego militar em equipamentos de engenharia complexa - aparentemente, não faria muito sentido para organizações terroristas. Os bárbaros do Daesh, por exemplo, demandam emprego imediato de meios, não desenvolvimento científico de longo prazo em ligas metálicas especiais.

Diante de tais reflexões, que decerto caracterizam como hipóteses, a operação da quadrilha de Seibold soa muito mais como uma covert action de algum serviço de inteligência adverso, empregando um tradicional mercenário como cabeça de ponte, do que qualquer outra coisa...

No Brasil temos excelentes profissionais de inteligência e segurança, qualificados e capazes para o cumprimento adequado da missão - mas aqueles burocratas que detém os fatores reais de poder insistem em não empoderar tais serviços com recursos humanos, materiais e legais adequados as suas funções precípuas. 

Há pelo menos 15 anos ininterruptamente Seibold, Salewski, Pilo e outros tantos eventuais associados podem exercer seus negócios suspeitos no Brasil, com parcos controles. Aparentemente, Seibold não se sentiu incomodado mesmo depois de ter sido investigado em 2005, certo?

Até que ponto temos condições efetivas de monitorar as ações e empreendimentos suspeitos de estrangeiros em nossa continental nação?

Ainda mais premente questionar: até que ponto há interesse em criar condições de trabalho para os serviços de Inteligência e Segurança no Brasil?

Fontes:

http://soldadodosilencio.blogspot.com/2015/11/risco-iminente-porosidade-dos-controles.html

http://g1.globo.com/goias/noticia/2015/11/pf-combate-comercio-ilegal-de-pedras-preciosas-em-go-df-e-5-estados.html

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/policia-federal-desmonta-quadrilha-especializada-em-contrabando-de-uranio/

http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,pf-apura-trafico-de-uranio-para-grupos-extremistas,10000003033

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft0802200507.htm

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