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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Terroristas ameaçam Argentina

No final de outubro a Direção Geral de Inteligência Criminal do Ministério da Segurança da Argentina emitiu um alerta sobre a possibilidade de atentados terroristas contra dois shoppings argentinos.


A origem do alerta seriam representações diplomáticas argentinas. Os supostos autores da ameaça seriam vinculados ao grupo terrorista Ansar Dine, com atuação no Mali, que de acordo com algumas versões detém ligações com a Al Qaeda (enquanto outros lhe imputam conexões com o ISIS).

A despeito do histórico de terrorismo em território argentino, não é muito normal tal tipo de informação ser veiculada em largo espectro na mídia. A eventual motivação específica de atingir centros comerciais na Argentina por um grupo fundamentalista islâmico com baixa atividade fora de suas origens no Mali também não resta evidente. Entretanto, jamais deve-se menosprezar a errática aquisição de alvos "infiéis" por grupos terroristas fundamentalistas.

Supostamente, a presidente Kirchner já havia declarado que o país sofrera ameaças do ISIS. Essa é a mesma distinta senhora extinguiu a SIDE argentina, que respondia pela Inteligência de Estado, a lá Collor em '90. A extinção da SIDE ocorreu na esteira do deprimente espetáculo mórbido que teve seu auge no suspeito falecimento do promotor Nisman, atribuído em certa medida ao persona non grata de Cristina, "Jaime" Stiuso, ex-chefe da inteligência hermana. Curiosamente, tudo ocorre quando há eleições na Argentina, que salvo melhor juízo, pela primeira vez na história terão segundo turno. 

Não é que eu não confie em você, Cristina. É que eu não confio em ninguém! O lado bom da história é que as ameaças não se confirmaram até o presente momento.

Fontes:

http://www.clarin.com/politica/Exclusivo-emiten-alerta-amenazas-terrorista_0_1458454335.html

https://twitter.com/moreira_enzo/status/660114086164897792/photo/1?ref_src=twsrc%5Etfw

http://boainformacao.com.br/2015/10/31/argentina-confirma-ameaca-de-bombas/

http://www.telesurtv.net/news/Alertan-sobre-posibles-atentados-terroristas-en-Argentina-20151031-0011.html

http://www.infobae.com/2015/10/30/1766140-ansar-dine-el-grupo-terrorista-mali-que-se-unio-al-estado-islamico


Você conhece a Hakluyt & Co.?

O que faz um recurso humano altamente treinado e experiente em modernas doutrinas de Inteligência e Contrainteligência ao se aposentar de suas honradas funções públicas? O que sabe fazer de melhor, desde que queira permanecer ativo profissionalmente. Tal realidade não difere para aqueles que se aposentam no MI6.


A Hakluyt é uma empresa britânica privada de Inteligência, envolta em atmosfera de confidencialidade, discrição e elitismo em seus serviços, que supostamente foi fundada e tem em seus quadros grande número de ex-agentes do MI6. 

As prementes necessidades dos altos ciclos corporativos demandam a Atividade de Inteligência tanto quanto as nações; porém, é dispendioso e quiçá impraticável a determinadas empresas manterem ativos especializados no nível adequado aos seus objetivos. Se há demanda por inteligência e um mercado limitadíssimo efetivamente apto a oferecer tais serviços, o valor agregado é extremamente atrativo - e movimenta grandes fortunas. Esse é o contexto de negócio da Hakluyt e outras empresas privadas relacionadas a inteligência.

Recente matéria do The Guardian afirma que Sir Iain Lobban, ex-chefe do GCHQ britânico, se associou em serviços da Hakluyt após seu desligamento:

"...From time to time, Shell has drawn on the services of Hakluyt, the Mayfair-based intelligence company. Separately from his work with Shell, Lobban will sit on the advisory board of Hakluyt’s holding company, the Holdingham Group, alongside senior business figures including the former chairmen of Rolls-Royce, GlaxoSmithKline and Unilever.

Lobban joins a succession of former spies and diplomats who have become associated with Hakluyt since it was formed nearly 20 years ago. It draws on a network of associates around the world who provide regional and local information, making the company popular among its blue-chip clients.

Hakluyt staff include numerous former senior government advisers, and in recent years the company has met and dined with top civil servants including the cabinet secretary, Jeremy Heywood, and David Cameron’s national security adviser, Kim Darroch, who stepped down in September. A spokesman for Hakluyt, which declined the Guardian’s request for an interview, said the company does not talk to the press. Lobban declined to comment when approached by the Guardian..."

Apesar da típica aversão ao marketing e a mídia, alguns episódios apresentam supostas interações com elementos da Hakluyt. A plataforma ativista Sourcewatch.org indica ações relacionadas a espionagem no Greenpeace, além de prestações de serviços a Enron e a Shell. Historicamente, há uma polêmica que supostamente vinculada aos serviços da Hakluyt, envolvendo a morte de um cidadão britânico na China em circunstâncias suspeitas, de nome Heywood. Matéria do Standart afirma a suposta ligação de Heywood com interesses de então eminentes políticos chineses e seus eventuais serviços a Hakluyt.

Talvez a Hakluyt & Co. conheça você. A única razão para tanto é o quão valoroso você pode ser aos interesses de algum de seus clientes espalhados pelo mundo. Afinal, todos somos alvos da Atividade de Inteligência, seja no âmbito das nações ou não - o que varia é a escala de atribuição de importância entre os alvos, e obviamente, o custo benefício da informação/ação que se pretenda executar.

Fontes:

https://wikispooks.com/wiki/Hakluyt

http://www.standard.co.uk/news/london/mi6-a-death-in-china-and-the-very-secretive-mayfair-company-full-of-spooks-7603151.html

http://www.sourcewatch.org/index.php/Hakluyt_%26_Company_Limited

http://www.theguardian.com/uk-news/2015/nov/05/former-head-gchq-sir-iain-lobban-adviser-shell-hakluyt

Rock da Sexta: Pink Floyd - Wish you were here

Mais um clássico eterno. Já abusei de ouvir e não canso jamais: Pink Floyd, em fantástica interpretação de Wish you were here.


Rock n' Roll!!!

domingo, 1 de novembro de 2015

Atualizações da "Nova Guerra Fria": propaganda enganosa, receios submarinos e a Síria pelos infantes

É notório que as tensões entre Estados Unidos da América e Rússia continuam a se intensificar na medida que o conflito na Síria e os jogos de guerra centrados no leste europeu baseados na guerra civil Ucraniana evoluem.


Uma "Nova Guerra Fria"? 

Particularmente, sou partidário da corrente de pensamento que considera que a Guerra Fria nunca tenha efetivamente arrefecido ao ponto dos focos de calor terem se extinto. Mas a taxonomia da história se reflete na polemologia e costuma fragmentar a cadeia de eventos em marcos, e decerto o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas é um ponto de curva considerável no diagrama histórico.

A politizada agência Sputnik alardeou as palavras do porta voz da Casa Branca Josh Earnest, que teria declarado que não há uma "Nova Guerra Fria" utilizando um argumento no mínimo tosco:

"...O porta-voz oficial da Casa Branca, Josh Earnest, declarou que o assunto de uma suposta Guerra Fria entre Rússia e EUA não está em pauta no momento porque a Rússia não representa mais uma superpotência, como o era na época da União Soviética.

"Não há dúvidas de que nós temos sérias divergências, principalmente sobre Ucrânia e Síria. Mas a Guerra Fria foi caracterizada pela confrontação entre duas superpotências. Agora, a situação é outra. A Rússia não é mais uma superpotência" – disse Earnest..."

Eu entendo que o papel do porta voz não costuma habilitá-lo ao livre exercício de um raciocínio histórico - mas enveredar para a propaganda enganosa não será producente. É inegável que a Rússia constitui uma superpotência mundial.

Os crescentes sinais de dissonância não se limitam a expansão das esferas de influência ou a discursos tendenciosos. Recente matéria do The New York Times revela um dos temores da inteligência americana: a possibilidade de um ataque submarino russo aos sistemas de cabos de comunicação que atravessam os oceanos.

Supostamente tais receios submarinos são fruto de operações de reconhecimento de belonaves nucleares da Rússia nas proximidades de sistemas críticos dos cabos de comunicação oceânicos. O potencial de um ataque que segmentasse os cabos é extremamente relevante, e decerto figuram em rol de alvos de alto valor a comunicação internacional no ocidente. 

Adquirir alvos que constituem infraestruturas críticas em eventual conflito é papel da inteligência militar de uma superpotência. Josh Earnest potencialmente dispõe de meios para alcançar esse entendimento - mas como asseveramos, não é pago para falar o que pensa. 

No teatro sírio, a recente implementação de forças especiais norte americanas em terra para combater o ISIS não é meramente protocolar, e também merece entrar no rol dos sintomas estudados. E mais uma vez, não é mera propaganda. Conhecer as atitudes de um potencial inimigo, "espelhando" suas operações em um cenário comum é uma relevante estratégia para evoluir doutrinas de combate no intuito de gerar o diferencial que possa alavancar vitórias.

Os argumentos ingênuos só servem as propagandas de ambos os lados do conflito. Quando se trata de estratégia militar que fundamenta a defesa nacional contra todos os potenciais cenários ameaçadores, nenhuma superpotência mundial fingirá boiar na superfície ignorando a abissal profundidade do mar belicista.

Fontes:

http://br.sputniknews.com/mundo/20151030/2605389/washington-nega-volta-guerra-fria-explica-porque.html

http://www.nytimes.com/2015/10/26/world/europe/russian-presence-near-undersea-cables-concerns-us.html?mwrsm=Email&_r=4

http://www.independent.co.uk/life-style/gadgets-and-tech/news/us-intelligence-fears-russia-could-crash-internet-by-cutting-subsea-cables-a6708651.html

http://noticias.r7.com/brasil/forcas-especiais-na-siria-nao-implicam-entrada-dos-eua-na-guerra-civil-diz-kerry-31102015


A maior catástrofe aérea russa

A queda do Airbus A321  russo da companhia Kogalymavia na península do Sinai no Egito é a maior tragédia aérea da história da Rússia. A fatalidade assolou 217 passageiros e 7 tripulantes, conforme informações da agência Sputnik.


Como em todo acidente aeronáutico, amplas são as possibilidades do que pode ter ocorrido, e a devida investigação dos fatos culminará em uma explicação adequada para a tragédia.

Relatos não confirmados indicam que a amplitude do sítio dos destroços indica que a aeronave se desintegrou no ar, o que de forma meramente precária e não conclusiva poderia ser compatível com um ataque terrorista. Matéria replicada no portal Terra afirma citando fontes oficiais russas que fotos de satélite apresentam um sítio de destroços com mais de 16 quilômetros quadrados de extensão.

A priori a possibilidade de terrorismo não pode ser descartada - assim como todas as outras possibilidades. A teoria terrorista emerge imediatamente de um fato: a motivação para uma eventual ação do gênero por parte de grupos bárbaros como o ISIS é real e significativamente aumentada após a intervenção russa na Síria. As ameaças nesse sentido tem sido constantes, e nas últimas semanas foram indicadas em postagens neste blog.

O terrorismo internacional sempre apostou em atos ilícitos contra sistemas aeronáuticos, em virtude do impacto mundial de tais alvos e infraestruturas críticas. Inúmeros são os exemplos trágicos de tal estratégia na história moderna. De fato, uma facção do ISIS atuante no Egito reivindicou ter causado a queda do avião - o que pode ser puro oportunismo propagandístico diante do advento da tragédia.

Análises prematuras tendem a fracassar em suas conclusões. A guarda dos serviços de contrainteligência russos já está alta há tempos, se é que em algum momento da história esteve baixa. Condolências as famílias das vítimas de mais uma terrível tragédia aeronáutica.

Fontes:

http://soldadodosilencio.blogspot.com.br/2015/10/terroristas-lancam-obuses-contra.html

http://soldadodosilencio.blogspot.com/2015/10/fsb-impede-dois-atentados-terroristas.html

http://br.sputniknews.com/mundo/20151101/2615479/moscou-cairo-investigam-catastrofe-aerea-russa.html

http://noticias.terra.com.br/ciencia/espaco/fotos-tiradas-do-espaco-facilitam-buscas-no-local-de-queda-de-aviao-no-egito,78c67bad814b82b0bb65d700e5061a9bbz1fmqbc.html